Haitiano sonha em voltar ao país de origem com a família
Pouco mais de semana após a chegada em Cuiabá, Annous Saint-Fleur conseguiu uma vaga de servente de pedreiro com um salário de R$ 817,00. Mudou-se então da Pastoral do Migrante para um quarto e sala no bairro Jardim Eldorado, em uma espécie de república onde vivem outros oito haitianos. Por meio de doações arrecadadas pela pastoral, conseguiu colchão, sofá, roupas, fogão e botijão de gás. Sua filha, que já arrisca algumas palavras em português, ganhou livros com ilustrações coloridas. Diz que pretende ficar em Cuiabá. A maioria dos haitianos está seguindo para São Paulo, mas eu não quero. Lá me contaram que tem muita violência, assaltos. Aqui me pareceu ser muito mais tranquilo, avalia. Farmacêutico com formação universitária, Saint-Fleur tem poucas esperanças de conseguir atuar na atividade no Brasil. Além de falar mal o português, não conseguiria o registro, porque o tempo de curso no meu país é menor do que exigido no Brasil. Sobre o futuro, ele não titubeia: Voltar ao meu país. Lá estão meus amigos e minha família. Assim que for possível, eu volto. (RV)