CIDADES
Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015, 21h:09
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SOLIDARIEDADE
Haitiano baleado em Cuiabá pede ajuda para ir para casa
YURI RAMIRES
Da Reportagem
Paraplégico desde que foi baleado na porta de sua casa, o haitiano Chrisner Elveus, 38 anos, precisa de ajuda para voltar à sua terra natal. Um grupo de amigos formado por cuiabanos e haitianos está mobilizado em uma campanha para arrecadar o dinheiro necessário para comprar a passagem, que gira em torno dos R$ 4 mil. De acordo com Rafael Lira, que trabalha como professor e intérprete de haitianos e africanos em cursos de nível médio em Cuiabá, no dia 22 de novembro Chrisner foi baleado na porta de sua casa, no bairro Boa Esperança, por um motociclista. Um dos tiros acertou sua coluna, deixando-o paraplégico. Ele teve alta, mas voltou a ser internado com uma infecção. Agora, já recebeu uma nova alta médica, mas precisa de cuidados especiais e afirma querer voltar para os braços da sua família, no Haiti. A gente começou a compartilhar as mensagens como forma de arrecadar dinheiro para ajudar a custear a passagem de volta. Até o momento já temos R$ 320, uma cadeira de rodas e uma cadeira de banho, disse Rafael, que é um dos líderes da mobilização. Ontem, ele esteve com um defensor público e uma assistente social no Instituto dos Cegos, onde funciona uma casa de inclusão para pessoas com deficiência. A intenção é de que Chrisner seja levado para lá, onde terá cuidados especiais de acordo com sua condição. A expectativa é de que ele consiga ser encaixado naquela realidade, mas, na verdade, ele pede para voltar para a família, e a família apoia essa ideia, só faltam recursos, disse. O último encontro de Rafael e Chrisner foi no sábado passado (26). Segundo o intérprete, ele estava bem, recuperando-se da infecção, mas emocionalmente está bastante abalado. Conforme Lira, o medo do haitiano é de ficar sozinho, sem ninguém para cuidar dele, por isso a sua vontade de voltar para casa. Ele está há cerca de três anos no Brasil. Antes de ser vítima do ato criminoso, trabalhava em um curtume na cidade. Tudo depende, ele precisa ir pelo trecho mais rápido, por isso, a passagem é um pouco mais cara. XENOFOBIA Movimentos sociais e haitianos se reuniram em frente ao Pronto-Socorro no dia 09 de dezembro, para um ato que pedia seriedade nas investigações do crime. O grupo afirma que o crime pode ser configurado como xenofobia, que é a aversão por estrangeiros. No dia do crime, Chrisner estava com um grupo de amigos na porta de casa, todos foram vítimas dos disparos, mas apenas ele foi atingido. A Polícia Civil está investigando o caso.