CIDADES
Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009, 23h:43
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SONHO DE NATAL
Há 16 anos, espetáculo para renovar vida
Casal Baltazar e Joselaine Ulrich enfeita a casa com requinte e espera a criançada para experimentar por alguns minutos a presença do bom velinho
ALECY ALVES
Da Reportagem
A Casa do Papai Noel, no bairro Santa Rosa, que há 16 anos tornou-se uma das principais atrações natalinas em Cuiabá, surgiu da proposta do resgate da fantasia do Natal vivida na infância pelo casal Baltazar e Joselaine Ulrich. Baltazar, advogado renomado em Mato Grosso, e a mulher, a dona-de-casa Joselaine, gaúchos da cidade de Santa Rosa, contam histórias similares sobre as celebrações natalinas. Ambos cresceram em famílias que faziam questão de celebrar a data, em homenagem ao nascimento de Jesus, da maneira mais tradicional, com presépio, pinheirinhos naturais e outros objetos de decoração típicos da época. Baltazar, homônimo de um dos três reis magos, aquele que levou mirra (erva) na primeira visita ao menino Jesus, disse que costumava ajudar os pais a enfeitar a casa. Usando tecido, goma e areia, ele reproduzia montanhas no entorno do presépio remetendo o pensamento às terras por onde Maria e José caminharam em busca do local mais seguro para o nascimento do filho de Deus. Já Joselaine diz que, utilizando tecido, tinta e outros produtos, ajuda a mãe na preparação da casa para o Natal fazendo, por exemplo, imitações de lagos naturais em volta da árvore e do presépio. Em Cuiabá desde 1982, o casal decidiu, com maior sofisticação, caprichar na decoração da casa. No início, recorda Baltazar, limitavam os efeitos ao interior da moradia. Depois, a partir de 1989, passaram enfeitar o jardim. A decoração externa da moradia dos Ulrich chamou tanto a atenção de crianças e adultos que, num determinado ano, decidiram abri-la para receber os visitantes. O próprio Baltazar assumiu o personagem do Papai Noel, com direito a cadeira de balanço, igual àquilo que é narrado nas histórias infantis. Desde então, todos os anos ele abre a casa por pelo menos 15 dias, até as 23 horas do dia 24, para receber os visitantes. A família não cobra ingresso, não dispõe de incentivo fiscal e, tampouco cultural para promover a alegria das crianças. Este ano, por exemplo, o casal investiu R$ 10 mil para trazer novidades para a decoração. Na parte externa, além de três árvores com coloração que simula uma cobertura de neve que acabara de cair, o público pode assistir o espetáculo de um pinguim (boneco) que tira o chapéu. Ao lado das árvores, uma manjedoura com o menino Jesus, acompanhado dos pais Maria e José, dá o sentido cristão ao espetáculo. Já no interior da casa, onde o acesso também é livre, as crianças dispõem de um boneco para inserir o rosto no lugar e ficar com a cara do bom velhinho. É possível registrar na memória ou em fotografia, se levar a própria máquina, alguns instantes no papel de Papai Noel. Baltazar diz que às vezes ouve críticas de pessoas que acham que ele quer promoção pessoal, fazer marketing com alguma finalidade política ou profissional. Porém, ele destacou que a ideia de expandir a decoração e receber os visitantes é da mulher, Joselaine, uma apaixonada pelas celebrações natalinas. Há quase 10 anos, desde maio, ela começa a planejar a decoração natalina. Um dos costumes do casal é visitar a feira de Natal que aconteceu no mês de maio, em São Paulo. O que os faz manter essa tradição é a certeza de que podem fazer as crianças sonharem. Quando chegam para me abraça, ou melhor, abraçar o Papai Noel, elas têm um brilho incrível nos olhos e estão com o coração acelerado, reforça. Segundo Baltazar, a energia positiva que recebe das crianças o deixa feliz, renovado para o próximo ano.