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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 14 de Junho de 2008, 13h:40

DOENÇA RENAL

Grupo tenta transporte para quem faz hemodiálise em Cuiabá

ANA PAULA BORTOLONI
Especial para o Diário
O aposentado Benedito Pereira da Silva tem 65 anos, há quatro ele faz tratamento de hemodiálise ao lado do Hospital Geral, em Cuiabá. As sessões são realizadas três vezes por semana. Morador do Pedra 90, gasta aproximadamente uma hora de viagem de ônibus do bairro até o ponto na avenida Prainha, de onde ainda precisa caminhar cerca de 300 metros até o hospital. Vai sozinho. Na volta para a casa, conta, quatro horas depois, o trajeto fica ainda mais difícil, por causa do estado de saúde do paciente, que já chegou a passar mal no veículo. A alternativa, defende, seria a existência de um automóvel para levá-lo e buscá-lo no bairro. O tratamento de hemodiálise é feito a partir de uma máquina que filtra o sangue retirando dele as impurezas do organismo. Quando os rins não funcionam normalmente aumentam no sangue a quantidade de substâncias como uréia, creatinina e potássio. As variações acontecem de acordo com o peso e idade do paciente. “Às vezes, a pressão sai alta, outras sai baixa. A gente nunca sai normal. Por causa disso, eu já cheguei a pegar ônibus errado, passei do ponto, às vezes não enxergo o nome e tenho que pedir ajuda pra alguém que está do meu lado. Já teve vez de não ter condições nem de subir no ônibus”, relata. A dificuldade encontrada pelo aposentado é a mesma de outros três moradores do bairro, sendo que dois deles têm as sessões marcadas para o mesmo horário freqüentado por ele, das 14h às 18 horas, às segundas-feiras, quartas e sextas. Pela coincidência de horários, eles dizem estar dispostos a se programar para que juntos possam fazer o trajeto do bairro até o hospital em um carro fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que também paga o tratamento. Assim, evitariam riscos de acidentes e mal-estar no trajeto de ida e volta ao hospital. “No sábado passado, eu caí ao tentar entrar no ônibus. Saí da máquina com pressão nove por seis, aí quando fiz força no corpo para subir (no ônibus), amontoei. Os passageiros que me ajudaram a levantar”, dispara o pastor Nilzo Almeida Alves, 56, que há um ano e oito meses faz o tratamento. Segundo ele, essa não foi a primeira vez que ocorreu uma queda. Há cerca de 90 dias, passou mal após a sessão e, com o corpo dolorido, não agüentou o peso. No começo, a esposa o acompanhava nas sessões, especialmente para auxiliá-lo nas viagens. A filha de 5 anos do casal ia junto. “Depois eu comecei a ficar preocupado com a saúde delas, a minha filha brincando ali naquele ambiente (o hospital) e preferi ir sozinho”, explicou.

Edição EDIÇÃO 16961




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