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CIDADES
Sexta-feira, 29 de Junho de 2012, 22h:51

OPERAÇÃO

Grupo explorava menores sexualmente

Polícia Civil desarticulou esquema que teria explorado cerca de 60 mulheres na região do Araguaia, muitas delas menores de idade

FRANCIS AMORIM
Da Reportagem
A prisão do taxista Israel Alves de Lima, de 33 anos, na manhã de ontem pela operação “Boneca de Pano”, levou a Polícia Civil a desarticular um grupo responsável pela exploração sexual de mulheres e adolescentes nas cidades de Barra do Garças, Pontal do Araguaia e Aragarças (GO). Os mandados de busca, prisão e apreensão foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Barra e cumpridos durante todo o dia nas três cidades. Além do taxista, a Polícia Civil prendeu também o empresário Paulo José dos Reis, acusado de contratar os serviços da organização criminosa e manter relações sexuais com uma adolescente de 13 anos. Outras 40 pessoas foram conduzidas de forma coercitiva às delegacias Municipal e Especializada de Defesa da Mulher de Barra do Garças para prestarem esclarecimentos. Segundo o delegado Adilson Gonçalves de Macedo, que comandou a operação, Israel é apontado nas investigações como o agenciador de programas com a conivência de porteiros de hotéis, pousadas e motéis das três cidades, além de aliciadores de outros estados. “Estamos apenas na ponta do iceberg. Existe muita coisa que está sendo apurada”, disse o delegado, revelando que cada programa ficava em cerca de R$ 150, sendo R$ 20 da corrida do táxi e R$ 100 para as garotas. Ainda de acordo com o delegado, o taxista agenciava um grupo de aproximadamente 60 mulheres, dentre elas, adolescentes com menos de 14 anos, a maioria de baixa renda e residentes em bairros periféricos das três cidades. “Durante a fase de investigação, os investigadores filmaram as ações do acusado, como ele agia e levava as mulheres aos clientes. Como disfarce, ele usava códigos para identificar as garotas”, disse Adilson Gonçalves, se referindo ao código “rebanho com novilhas de 13 e 15 arrobas (idades) já prontas para o abate”, ou seja, passivas de realizar os programas sexuais. A Polícia Civil apurou também que o taxista manipulava as garotas por meio de empréstimos para o pagamento de dívidas escolares, contas em lojas e até mesmo aquisição de medicamentos para interromper o ciclo menstrual. “O Israel gerenciava todo o esquema e, além dele, estamos investigando também pessoas que o auxiliavam”, disse o delegado. Para deflagrar a operação “Boneca de Pano”, referência a uma garota de 13 anos deixada pelo taxista na BR-070, com um ursinho de pelúcia nas mãos, a Polícia Judiciária Civil mobilizou 30 policiais e dois delegados. A exploração sexual é um crime previsto no Código Penal, que determina pena de dois a cinco anos de cadeia e multa. O Estatuto da Criança e do Adolescente também estabelece pena para exploração de menor, que vai de quatro a dez anos.

Edição EDIÇÃO 16967




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