Servidores do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em Mato Grosso realizaram um protesto inusitado ontem. Em greve desde o início do mês, eles promoveram a doação de uma tonelada de alimentos arroz e feijão -, além de 200 litros de leite na Praça Ipiranga, no centro da Capital. A ação, segundo o delegado sindical do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), Nilo Silva Nascimento, tinha o objetivo de mostrar que a categoria ainda está mobilizada, apesar das decisões judiciais que determinaram a manutenção de pelo menos 70% das atividades durante o período de paralisação. Conforme Nascimento, para os setores de inspeção de frigoríficos e da vigilância agropecuária a ordem é continuar com 100% dos servidores atuando. O argumento da União, que acabou acatado pela Justiça, é que a greve destes profissionais afetava a arrecadação do governo Federal nas transações de importação e exportação. Dos 80 fiscais agropecuários que atuam no Estado, 37 fazem parte do grupo que não pode participar da greve. Segundo Nascimento, a liminar foi concedida quatro dias após o início da paralisação e houve prejuízos em Mato Grosso com relação à exportação de carne. Sem nosso trabalho a carne não pode sair do país. Essa manifestação é também para mostrar à população que tipo de produtos passa pela nossa fiscalização e podem ser afetados, explica o sindicalista. A categoria pleiteia a unificação dos vencimentos e um reajuste semelhante ao proposto pelo governo. Nascimento diz que principal problema é que hoje eles recebem o salário base e dois tipos de gratificação. Ofereceram à categoria um reajuste de 15,8% que deve ser pago em três parcelas a partir do ano que vem. O que nós estamos pedindo é muito semelhante a isso. Só rejeitamos porque queremos um vencimento único e não dividido como é hoje. Acredito que a negociação vai ser mais fácil e devemos ter um resultado positivo em breve, diz.