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CIDADES
Quarta-feira, 09 de Julho de 2014, 19h:28

COPA DO MUNDO

Greve nas obras dos COTs

Operários dos dois centros de treinamento que deveriam ser construídos para o Mundial 2014 protestam contra consórcio

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Operários que trabalham na construção dos Centros Oficiais de Treinamento (COTs) da UFMT, em Cuiabá, e da Barra do Pari, em Várzea Grande, paralisaram as atividades ontem. Entre os dois COTs, são aproximadamente 250 trabalhadores que protestam contra irregularidades trabalhistas que estariam sendo cometidas pelo consórcio responsável pela obra, formado pelas construtoras Engeglobal e Três Irmãos. Eles podem ingressar com ação judicial, caso o consórcio não resolva os problemas. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Cuiabá e Municípios, Joaquim Dias Santana, as reclamações dos funcionários dos dois COTs são as mesmas, mas com um agravante. "A empresa disse aos funcionários que eles não receberiam mais produção e hora-extra a partir deste mês e que quem não estivesse satisfeito que pedisse demissão, o que caracteriza assédio moral", afirmou. No caso do COT da UFMT esta é a terceira vez que os operários cruzam os braços desde quando começou a obra, em março do ano passado. De acordo com o encarregado de carpintaria José Antônio Amâncio, a empresa ameaça pagar apenas o piso salarial, o que representará uma queda de até 80% no ganho dos trabalhadores. "No caso dos carpinteiros (por exemplo), o ganho médio de R$ 4 mil (com produção) será reduzido a R$ 1.108", comentou. Os trabalhadores dizem ainda que assinaram o holerite na última segunda-feira (7) com a garantia de que o pagamento referente ao mês passado já estava na conta. Porém, segundo eles, até ontem o depósito não havia sido feito. Além disso, parte dos operários já teria assinado rescisão contratual há mais de 60 dias, sem receber o pagamento pelos direitos trabalhistas. "A empresa também não vem fazendo o depósito do fundo de garantia e descontou o vale-transporte, mas não entregou", relataram. Há também o caso de 28 carpinteiros que continuam empregados na obra do COT da UFMT, apesar de não terem mais serviço, passando o dia todo desocupados, uma estratégia para pressioná-los a pedir demissão, já que a empresa se recusa a dispensá-los. Na manhã de ontem, os trabalhadores se concentraram em frente ao portão de acesso aos COTs. Eles, entretanto, foram liberados pela empresa até a próxima segunda-feira (14). Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Extraordinária para a Copa (Secopa) informou que acompanha o movimento grevista e que tem cobrado dos diretores do consórcio uma solução para o problema. Já a diretoria das construtoras não se posicionou. Os COTs da UFMT e do Pari deveriam ser tido usados pelas seleções que jogaram na Arena Pantanal durante a Copa do Mundo, o que aconteceu parcialmente devido ao atraso nas obras.

Edição EDIÇÃO 16962




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