CIDADES
Terça-feira, 16 de Junho de 2015, 20h:17
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SAÚDE
Greve de médicos prejudica a população
Inúmeros pacientes com consultas marcadas nas unidades de saúde ou que buscaram assistência ambulatorial voltaram para casa sem atendimento
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Com a greve dos médicos que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) iniciada ontem em Cuiabá, inúmeros pacientes com consultas marcadas nas unidades de saúde ou que buscaram assistência ambulatorial com quadro clínico considerado pouco ou não urgente voltaram para casa sem atendimento. Foi o que aconteceu com o haitiano Diamil Francos, que sentido fortes dores estomacais recorreu à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Morada do Ouro. Entretanto, saiu de lá sem saber o que faria para tentar aliviar as dores. Estou muito, muito doente, comentou o rapaz, mostrando que possui a carteira do SUS. Quem também saiu de lá sem assistência foi o instrutor de autoescola Francisco Gonçalves, de 40 anos, que estava com muita tosse e irritação na garganta. Nem entrei na UPA. Desisti quando me falaram que estavam atendendo só caso de emergência, disse. Já a doméstica Ivonete, de 29 anos, teve mais sorte. Segundo seu marido Ajax Almeida, 37 anos, ela estava com uma infecção no pé direito e, como seu quadro foi considerado urgente, ela conseguiu ser atendida. Ela entrou para a sala para fazer limpeza e tomar uma injeção. O atendimento até que foi rápido, afirmou. Neste ano esta é a terceira queda de braço travada entre a classe médica e a Prefeitura. A paralisação atinge cerca de 700 profissionais e somente os serviços de urgência e emergência funcionam. Já nas pouco mais de 90 unidades do Programa de Saúde da Família (PSFs) e centros de saúde apenas 30% do serviço é mantido. A categoria alega que a Prefeitura descumpre acordos feitos na Justiça, ainda em 2014, e renovados ao longo deste ano. Entre os pontos de desentendimentos estão o piso aprovado pela Federação Nacional dos Médicos (quase R$ 11 mil) e a incorporação do prêmio-saúde ao salário. A reportagem do Diário tentou falar por telefone com a presidente do Sindimed, Eliana Siqueira, mas não conseguiu. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), as consultas agendadas serão remarcadas após o fim do movimento. A administração municipal garantiu ainda que estava adotando todas as medidas legais e necessárias em relação à greve, inclusive a manutenção do caráter de ilegalidade do movimento, conforme decisão da desembargadora Maria Helena Póvoas em abril deste ano.