CIDADES
Sábado, 18 de Julho de 2009, 13h:18
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CIDADANIA
Ginásios desviados de função na Capital
Dois dos principais espaços poliesportivos da cidade viraram, há meses, abrigo para famílias despejadas. Comunidades cobram volta à atividade-fim
DANA CAMPOS
Da Reportagem
Apesar de a prática esportiva ser considerada um importante mecanismo de formação cidadã, comunidades de Cuiabá sofrem com a ausência de espaços destinados à atividade. Algumas delas foram prejudicadas em virtude de processos de desapropriação em áreas da Capital, já que suas quadras poliesportivas viraram, há meses, abrigo para dezenas de famílias. Na Capital, existem atualmente 17 espaços esportivos, dentre eles centros esportivos, centros comunitários, complexos esportivos e ginásios. São locais em que costuma ocorrer o desenvolvimento de atividades esportivas com grande participação da comunidade. No entanto, dois desses espaços - Centro Esportivo Gustavo Cid Nunes da Cunha, conhecido Ginásio da Lixeira, e o Centro Esportivo João Balduino Curvo, conhecido Ginásio do Quilombo - deixaram de cumprir sua finalidade e hoje são utilizados como abrigo para as famílias desalojadas dos bairros Praeirinho e Sucuri, respectivamente. Os dois já foram palcos de grandes campeonatos de futsal e de vôlei no passado. No Ginásio da Lixeira, por exemplo, a Polícia Militar vinha desenvolvendo o projeto Polícia com as crianças, com a participação de 100 menores com idades entre sete e 17 anos. No local eram repassados ensinamentos civis, militares e esportivos. Segundo uma policial que faz parte do grupo de militares instrutores, o local servia para a prática do karatê e demais esportes coletivos como, futsal e vôlei. Com a ocupação do espaço pelas 30 famílias desapropriadas do bairro Praeirinho, o projeto está parado há quatro meses. Apesar de a gente desenvolver outras atividades como artes e música, o esporte é sempre o maior atrativo para a criançada. E hoje, infelizmente, não temos onde desenvolver essas atividades. Praticamente houve uma fuga das crianças, disse a policial. Segundo ela, não houve comunicação prévia de que o espaço poliesportivo seria ocupado, sem dar chance aos militares de procurar outro local que pudesse ser utilizado pelos alunos do projeto. A expectativa é de que eles tenham logo um local apropriado para morar, e que a gente possa voltar a trabalhar com essas crianças. Mas, por enquanto, a sensação é de extrema frustração, completou. A presidente do bairro Lixeira, Marilene Glaucia, informou que já foram feitas inúmeras cobranças junto à Agência Municipal de Habitação e à Secretaria Municipal de Esporte e Cidadania. A gente aguarda com bastante expectativa, pois esse espaço é de grande importância para o desenvolvimento social das nossas crianças, disse. No Ginásio do Quilombo, segundo o açougueiro Valdemir Luiz do Nascimento, de 40 anos, o problema é o mesmo, e se arrasta há sete meses. No local estão abrigadas 13 famílias, inclusive a dele. Viver nesses locais é uma sobrevivência árdua diária. Em ambos, não há iluminação elétrica regular e, por isso, é necessário fazer gambiarras da rede de energia. As condições de higiene são precárias. Os banheiros são de uso coletivo e o banho nem sempre é algo privativo. Conforme o presidente da Agência de Habitação Popular de Cuiabá, Emanoel Moreira Lima, já estão sendo construídas 50 casas para abrigar as famílias alojadas nos dois ginásios. O prazo é de que em três meses as obras estejam concluídas e as famílias, remanejadas. Encontrar uma área apropriada, fazer aterramento, verificar a viabilidade de água, luz, saneamento, são situações que demandam tempo, justificou o presidente.