CIDADES
Terça-feira, 10 de Março de 2009, 20h:02
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MENORES NO DOM AQUINO
Gatilho falha nas mãos
Jovem de 17 anos tenta atirar em outro de 15 em colégio, à luz do dia; ambos integrariam gangues
Um confronto entre dois adolescentes apontados como integrantes de gangues do bairro Dom Aquino quase terminou em tragédia em frente à Escola Santos Dumont na tarde de ontem, em Cuiabá. O jovem R.M., de 17 anos, tentou atirar contra E.K.D, de 15, no horário de entrada dos estudantes na instituição pública de ensino, mas o revólver calibre 32 não disparou. O motivo foi uma rixa entre gangues do bairro para disputa de território e envolvimento com drogas. Tudo indica que o menor que atirou pertence à gangue do Morro e a vítima à gangue da Aldeia, relata o policial militar Diego Tocantins. Aldeia e Morro são duas regiões do bairro Dom Aquino comandadas por grupos distintos armados, que praticam assaltos e outras ações criminosas. Grande parte das facções são formadas por menores. A tentativa de homicídio aconteceu por volta das 13h30. Eu estava entrando na escola e ele apontou a arma para mim lá na frente. Corri, entrei em uma venda e ele correu atrás de mim. Ele puxou o gatilho várias vezes e a bala não saiu, conta E.K.D, que cursa a 7ª série. Ele disse não saber o motivo do ataque e negou ser integrante de uma gangue. Após a tentativa de homicídio frustrada pela falha do revólver, R.M foi embora para casa. Um parente do adolescente ameaçado chamou a polícia, que encontrou o outro menor na casa das família, no próprio bairro, e o revólver escondido embaixo de uma cômoda. R.M. foi detido e seria encaminhado para o Pomeri, onde cumprirá medida socioeducativa. Ele estuda a 6ª série na Escola Emília de Figueiredo, na mesma região. Esses dois colégios são os mais problemáticos em relação a esse tipo de delito, pois estão localizados bem no foco onde as gangues vêm agindo com mais brutalidade nas últimas semanas, aponta um policial militar que atendeu à ocorrência e não se identificou. O menor que portava a arma negou integrar a gangue do Morro, mas afirmou que é comum ver colegas na escola com revólveres enquanto assistem à aula. Eu estava armado porque estava sendo ameaçado, mas direto os caras vão armados para as escolas do bairro. Comprei o revolver por R$ 400 de um cara aí. Não ameacei ninguém, declarou o rapaz, que em tom de ameaça falava para o outro menor retirar a denúncia enquanto concedia entrevista. Na hora da tentativa de homicídio houve muito tumulto em frente ao colégio. As pessoas gritavam para o menor não atirar e os estudantes entraram em desespero. Só este ano, já encontramos outros menores armados em escolas da região, destaca o policial. A ação dos grupos armados, com grande quantidade de adolescentes envolvidos, vem fazendo vítimas na Capital. Uma delas foi a menina Ana Carolina Nunes Lima Silva, 2 anos, assassinada no Dom Aquino no dia 28 de fevereiro.