Apenas um estabelecimento, em toda Cuiabá, repassa corretamente os 10% referentes à gorjeta para os garçons. É o que afirma o presidente do Sindicato dos Garçons, Barmans e Maítres de Mato Grosso(Sigabam), Arildo Araújo. Segundo ele, a maior parte do dinheiro que deveria complementar o salário destes profissionais fica com os empresários. O problema é ainda maior quando as contas são pagas com cartão de crédito. Muitos donos de estabelecimentos ficam com parte da gorjeta ou até o valor integral. Outros repassam percentuais diferentes para cada empregado, acusa. A categoria reclama da falta de fiscalização e pleiteia que um projeto de lei que tramita no Senado seja apreciado para tentar solucionar o que consideram roubo. Ele prevê a implantação de pena de reclusão aos empresários flagrados embolsando as gorjetas. Segundo o sindicato que representa a categoria no Rio de Janeiro, pelo menos 17 mil ações de empregados reclamando dos patrões tramitavam na Justiça em todo o país em 2010, quando o texto de autoria do senador Marcelo Crivella passou pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado. O projeto tenta legalizar a questão. Em Cuiabá, o sindicato ainda tentar barrar na Câmara Municipal um projeto que obriga os estabelecimentos a expor em locais estratégicos cartazes informando que o pagamento dos 10% é opcional. Araújo afirma que uma parcela ínfima de clientes se nega a pagar o acréscimo. O temor é que os cartazes influenciem este comportamento. A reportagem do Diário tentou, sem sucesso, entrar em contato com a assessoria jurídica do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares para contrapor a denúncia.