CIDADES
Sábado, 14 de Junho de 2014, 15h:10
A
A
LAR DA CRIANÇA
Fuga em massa põe instituição em xeque
A fuga de 16 abrigados no Lar da Criança, motiva uma série de questionamentos e discussões sobre acolhidos e cuidadores
ALECY ALVES
Da Reportagem
A fuga de 16 abrigados no Lar da Criança, ocorrida esta semana, além do despreparo de boa parte dos servidores da instituição, trouxe à tona uma série de questionamentos e discussões sobre acolhidos e cuidadores. Abrigar ou não com crianças de menor idade com meninas e meninos de 11 e 12 anos com vivencia de rua e envolvimento em pequenos atos infracionais? Crianças com essas experiências poderiam influenciar as demais? Por que os servidores aprovados em concurso público não passaram por capacitação antes de assumir a função de cuidador? As denúncias de maus-tratos físicos apresentadas pelas crianças como uma das motivações das fugas não foram comprovadas pela direção do Lar das Crianças. Pelo menos as câmeras do sistema de monitoramento interno não apontaram agressões ou qualquer situação que levasse a suspeitar disso, de acordo com a superintendente do Lar, Marimar Michels. Entretanto, sobre as acusações de agressões psicológicas, o que as câmeras não captam, não há negativa ou afirmação por parte da direção. As crianças acusaram cuidadores de agredidas e castigá-las ou ameaçá-las com diversos castigos, como de que ficariam sem comida. Todas as que fugiram passaram por exame de corpo de delito no IML, mas os laudos ainda não ficaram prontos. As acusações, conforme o Conselho Tutelar, partiram das crianças maiores e mais rebeldes, aquelas que apresentam dificuldades em se adaptar às regras da instituição. O menino que supostamente liderou a fuga tem 11 anos, é órfão de pai e mãe, já viveu nas ruas e praticou pequenos furtos. Ele e a irmã, de 9 anos, moram no Lar da Criança há mais de ano. Essa seria a segunda internação deles na instituição. Na primeira, passaram pouco mais de um ano e retornaram ao convívio da bisavó que, doente, não conseguia mantê-los sob suas ordens em casa. Era com o irmão maior, de 13 anos, que eles iam para as ruas onde sobreviviam mendigando e praticando pequenos furtos. O irmão adolescente também está vivendo em uma instituição, de onde já teria fugido diversas vezes, conforme diagnóstico do conselheiro tutelar Amado Soares Santiago. Amado disse que o Lar da Criança oferece infraestrutura necessária ao atendimento das crianças. É um bom prédio, com bastante espaço e bem equipado. A preparação dos servidores, porém, está deixando a desejar. crianças. Quem chega para trabalhar em um lar como esse precisa está preparado psicologicamente para esquecer os problemas que deixou lá fora e consciente que não pode tratar as crianças da mesma maneira como vinham sendo tratadas quando foram destituídas dos pais, observa. As acusações contra cuidadores estão sendo apuradas pela Delegacia Especializada da Criança e do Adolescente(Dedica), sob o acompanhamento da Promotoria e Juizado da Infância e Juventude.