NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

CIDADES
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009, 21h:06

JULGAMENTO

Fróes diz ser vítima de armação

KEITY ROMA
Da Reportagem
O depoimento do ex-delegado Edgar Fróes perante o Tribunal do Júri foi marcado por contestações. O acusado de ser o mentor de duplo homicídio qualificado mudou sua versão contada há cinco anos e admitiu ter mentido para sustentar uma estratégia de defesa. Ele negou ter encomendado os assassinatos de Marluce Dias e Rodolfo Alves, em março de 2004, e disse ser vítima de uma armação policial para incriminá-lo. O julgamento teve início às 8h de ontem, mas não havia previsão para o fim durante a noite. A expectativa da defesa de Fróes, feita pelo advogado Waldir Caldas, é de que hoje sejam encerrados os debates entre acusação e defesa e então seja proferida a sentença. Na mesma sessão será julgado Josuel Correa da Costa, considerado peça-chave no processo pelo Ministério Público Estadual (MPE). Além de responder pelo crime como co-réu, Josuel é a principal testemunha que incrimina Fróes. Ele prestaria depoimento na noite de ontem aos jurados. No dia seguinte ao assassinato de Marluce e do filho dela, Rodolfo, Josuel foi à delegacia espontaneamente e relatou ter presenciado a ‘encomenda’ do crime feita por Fróes. A dúvida do MPE ontem era se Josuel continuaria incriminando o ex-delegado, que era seu amigo na época do assassinato, ou mudaria sua versão. Segundo Josuel, Fróes teria lhe telefonado no dia 17 de março e pedido que lhe encontrasse na delegacia. Então, o ex-delegado teria entrado no carro de Josuel e feito a proposta para que o mesmo roubasse a bolsa de Marluce. Conforme a versão, Josuel se negou e um amigo dele, Benedito Costa, que estava no banco de trás, se ofereceu a Fróes para realizar o ‘serviço’. Ao telefonar no dia seguinte para Benedito para saber por que as vítimas foram executadas, Josuel teria recebido a resposta: “Porque o doutor (Fróes) mandou descer o dedo”. Inicialmente, o ex-delegado negou ter andado no veículo, mas disse ontem que o fez para averiguar denúncias de estelionato feitas pelo amigo. Benedito foi condenado pelo crime a 26 anos de prisão. Ele contratou Hildebrando Passos e Alexandro Lemes, menor na época, para realizarem o assalto e, posteriormente, os assassinatos. A acusação contra Fróes é de que ele teria montado o plano porque, ao intermediar na delegacia uma negociação entre Marluce e o agiota Trajano Bispo de Souza Filho, teria ficado com R$ 15 mil da mulher, em vez de repassá-lo a Trajano. Por isso, Marluce o denunciaria à Corregedoria da Polícia. Ao ser questionado pela juíza Mônica Catarina Perri, Fróes negou ontem a realização de acordos dentro da delegacia para obter vantagens financeiras, mas apenas para manter a boa convivência entre cidadãos. Ele também negou ter ficado com o dinheiro da mulher, que lhe pagou R$ 14.530 para serem repassados a Trajano. No dia anterior ao assassinato, Fróes teria ligado cerca de 20 vezes para Luiz Perón Guerra solicitando R$ 15 mil emprestados. O montante não teria sido viabilizado. Outro fato que pesa contra Fróes é que no dia em que foi morta, Marluce saía de casa para encontrar o delegado e Trajano com recibos assinados por Fróes na bolsa. O ex-delegado alegou ontem não ter motivos para assassinar alguém por R$ 15 mil. “Eu era funcionário público com um salário de R$ 10 mil mensais. Poderia ter emprestado aquele valor no Banco do Brasil”. Fróes sustentou ainda que foi uma das pessoas que mais ajudaram Marluce, que, apavorada, pediu ajuda contra ameaças feitas por Trajano.

Edição EDIÇÃO 16961




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL