Sob o título Mulas Humanas no Narcotráfico Internacional Bolívia-Brasil suicidas em potencial, o médico legista Manoel Francisco Campos Neto resolveu pesquisar o tema depois de observar que chegavam suspeitos de transporte de drogas na modalidade de cápsulas engolidas de uma a quatro vezes por cada plantão que fazia no Hospital Regional de Cáceres, detidos por agentes policiais do Grupo Especializado de Fronteira (Gefron). Observei também que a faixa etária dessas vítimas, as mulas, variava, e cada vez para menos idade, chegando inclusive a atender um com 16 anos que, segundo ele, estava completamente chapado, respondendo que é viciado em pasta-base, cocaína e maconha, chegando à consumir mais de 10 gramas por semana e que todo o seu trabalho (peão de fazenda) é pela droga que consome, relatou o médico. Completou: o que pesou mesmo na decisão de iniciar em 2005 o estudo foi que, depois de algum tempo, durante a entrevista, ele começou a passar mal, e ali na minha frente vomitou cápsulas. E mais, quando rebuscando meus arquivos de Perito Oficial Médico Legista, encontrei um laudo de necropsia que eu fiz em 2003, de um mula que veio a óbito por overdose devido à ruptura de uma das 16 cápsulas. (CND)