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CIDADES
Quarta-feira, 02 de Fevereiro de 2011, 21h:33

ABUSO SEXUAL

Frei tenta liberdade provisória na Justiça

Pedido da defesa do religioso está com MP. Estratégia ainda é nova tipificação

DHIEGO MAIA
Da Reportagem
A Justiça de Várzea Grande deve julgar hoje o pedido de liberdade provisória interposto pela defesa do frei franciscano Erivan Messias da Silva, de 43 anos, preso na última segunda-feira quando saía de um motel da cidade acompanhado de uma adolescente de 16 anos. Até o final da tarde de ontem, o pedido passava por análise do Ministério Público, que irá se manifestar com um parecer. O pedido tramita na 3ª Vara Criminal da cidade. A estratégia do advogado Anderson Nunes de Figueiredo é livrar o frei da prisão para, depois desmistificar a acusação que pesa contra ele: estupro de vulnerável. A pena varia de oito a 15 anos de prisão. “Não é crime de estupro. Seria se a violência ocorresse sem o consentimento da vítima”, explica. Ontem, outras denúncias de abusos sexuais supostamente praticadas pelo frei em outros estados foram veiculadas por sites de notícia. Segundo Figueiredo, o frei rebateu as acusações e disse que todas elas se tratavam de boatos. A delegada da Mulher, Criança e do Idoso de Várzea Grande, Juliana Chiquito Palhares, explicou que o frei foi enquadrado no crime porque a posição dele na comunidade e no círculo religioso impossibilitava a adolescente de “discernir e resistir ao ato”. É como se o frei exercesse uma dominação social e psicológica sobre a adolescente. Em depoimento à polícia, a jovem se declarou apaixonada pelo frei e que o considerava namorado. Eles saíam juntos para restaurantes e feiras-livres da Grande Cuiabá e chegaram a ser vistos por vários frequentadores das missas celebradas pelo religioso, que mantinha estreito relacionamento com a família da adolescente. Porém, quando esteve na delegacia, a adolescente também disse que sofria de depressão. Todos esses fatores foram suficientes para reforçar a prisão e a instauração de inquérito contra o frei. “A lei visa proteger a dignidade sexual da vítima”, salienta a delegada. A família da adolescente não sabia do relacionamento amoroso da jovem com o frei e está abalada. Segundo Palhares, até o momento, não há indício de envolvimento de nenhum membro da família no caso e, por isso, a jovem voltou para casa. Palhares tem 10 dias para concluir o inquérito. Um notebook de Erivan também foi apreendido e será periciado. Fotos e conversas entre o frei e a jovem serão interceptadas no aparelho. Outros religiosos próximos ao frei também serão ouvidos. De acordo com Figueiredo, Erivan está visivelmente abalado. Ele divide cela com outros 17 presos no anexo 1 da Penitenciária Central do Estado. O local é uma espécie de cela especial para pessoas com curso superior. Erivan é formado em teologia e filosofia. A Igreja Católica já destituiu o frei do comando das duas paróquias que dirigia. Um padre visitou Erivan na prisão. Na ocasião, o frei teria confessado todos os fatos ao religioso.

Edição EDIÇÃO 16967




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