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CIDADES
Quinta-feira, 16 de Maio de 2013, 20h:53

NO MEIO DA MATA

Fiscais resgatam trabalhadores

O Ministério Público do Trabalho resgatou cinco trabalhadores em condições análogas às de escravo em uma fazenda na região de Paranatinga, durante ação conjunta com o Ministério do Trabalho e Emprego e a Polícia Civil do município. O grupo trabalhava na derrubada, corte e carregamento de eucalipto, que era comercializado pela fazenda, por meio de contrato de compra e venda de lenha, a uma produtora de biodiesel. De acordo com o procurador do Trabalho André Vinícius Melatti, o MPT vai buscar a responsabilizaçao de todos os envolvidos no caso. A inspeção foi motivada por denúncia sigilosa que noticiou a prática de trabalho degradante. No interior da fazenda, a cerca de 10 quilômetros da sede, a equipe de fiscalização encontrou os cinco trabalhadores alojados em um barraco de lona, feito de tronco de madeira, em piso de terra batida, localizado próximo de um córrego onde era obtida a água consumida pelos resgatados. O local ainda era utilizado para tomar banho e lavar roupas e louças. Os trabalhadores não possuíam registro em suas carteiras de trabalho e estavam laborando há 60 dias sem recebimento de salário. Tendo em vista a recusa das empresas em realizarem o pagamento das verbas rescisórias e da indenização por danos morais individuais, que atingiu o valor de cerca de R$ 55.600, o Ministério Público do Trabalho em Rondonópolis ajuizou, na Vara do Trabalho de Primavera do Leste, uma ação cautelar com pedido de bloqueio de bens dos empresários para garantir a quitação de todos direitos trabalhistas dos empregados. Segundo o procurador do Trabalho André Melatti, ficou constatado, por meio de depoimento do gerente do negócio, que tanto a fazenda como a empresa de biodiesel se aproveitavam da força de trabalho para auferir lucros, mediante a partilha de responsabilidades durante a extração do eucalipto. Pelo teor dos depoimentos colhidos de três dos cinco trabalhadores, não havia fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) e de treinamento para operação da motosserra. Além disso, os custos das ferramentas de trabalho e da alimentação eram todos descontados da remuneração. Além de não terem sido registrados, os trabalhadores não foram submetidos aos exames médicos admissionais. No local também não havia materiais de primeiros socorros. (Com Assessoria)

Edição EDIÇÃO 16961




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