CIDADES
Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2009, 21h:37
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MTU
Fila a perder de vista
Cordão humano se arrasta por 2 ruas e irrita usuários, obrigados a enfrentar espera por até 4 horas, em pé
ALECY ALVES
Da Reportagem
Sob o sol escaldante de Cuiabá, com temperatura costumeira de 40 graus, centenas de estudantes e pais estão passando até quatro horas na fila para fazer ou atualizar as informações do cadastro estudantil do passe-livre. Muitos ainda retornam para casa sem conseguir ser atendidos. Ontem, a fila que começava no portão de atendimento ao público da sede da Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos (MTU), na rua Joaquim Murtinho, parecia não ter fim. O longo cordão humano se estendia até o cruzamento com a Rua Desembargador Ferreira Mendes, uma das vias de acesso à Câmara de Vereadores. Além de muitas críticas, os estudantes e familiares, mesmo irritados com a longa espera, apresentam sugestões para a melhoria do atendimento e a extinção das filas, um problema que vem se repetindo todos os anos na semana que antecede o início do ano letivo na rede pública. Elorayne Maiara Ferreira da Silva, 14 anos, e Elissama Fernandes, 15 anos, permaneceram na fila das 6h30 até as 10h30 e não conseguiram se cadastrar pela nova escola onde estão matriculadas, o Colégio Estadual Nilo Povoas, no bairro Bandeirantes. As duas estudantes reclamaram que nem a escola e tampouco a MTU informaram a necessidade de apresentar uma declaração de residência do proprietário ou responsável pelo imóvel quando o documento apresentado (a conta de luz e água, por exemplo) não confere com os nomes dos parentes escritos na certidão de nascimento ou identidade - pai, mãe ou avós. Elorayne e a amiga, que moram no bairro Praeirinho, receberam da MTU a cópia de uma declaração manual para ser preenchida e assinada pelos respectivos padrastos, responsáveis pela casa onde moram. Também há exigência de duas testemunhas. Sem o dinheiro do transporte para ir até o local do trabalho do padrasto, Elorayne não pode retornar ao MTU no mesmo dia. Por causa disso, terá de enfrentar outra fila, talvez ainda maior, hoje ou amanhã. O mesmo aconteceu com Elissama Fernandes. Irritado, o comerciário João Luiz da Silva Pereira, considerou a demora uma falta de respeito com os consumidores. Ele, que fazia o cadastro do filho menor, Carlos Henrique, de 10 anos, desabafou: se nossos filhos vão à escola sem pagar transporte, o custo dessa gratuidade vem em forma de impostos, compartilhado por todos os cidadãos, declara, ao reivindicar atendimento melhor. Patrícia Matos dedicou o dia de ontem para carregar as filhas de um lado pra o outro para que elas não comprometessem o horário de trabalho na fila de atualização do cartão estudantil. Aline Matos, estudante de Enfermagem, foi a primeira a ser atendida pela mãe. Aline acha que seria fácil solucionar a questão da longa espera. Era só criar guichê de atendimento para cada serviço. Ou seja, para quem vai fazer cadastro novo, apenas atualizar ou recarregar o cartão, sugere. Ou ainda, que a MTU possibilitasse a atualização cadastral online e apenas fizesse a conferência no balcão. Isso, acredita Aline, ajudaria bastante.