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CIDADES
Quarta-feira, 03 de Dezembro de 2014, 20h:50

R$ 10 MILHÕES

Fazendeiros tentaram juntar cota para subornar delegado

GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
Os fazendeiros, presos pela operação Terra Prometida, tentaram realizar uma cota para arrecadar R$ 10 milhões e subornar o delegado da Polícia Federal para evitar que a área continuasse a ser investigada. O grupo também teria cometido uma série de atentados contra moradores e até mesmo policiais. A denúncia consta no relatório da PF, realizado em março deste ano. Conforme o documento, prevendo um possível prejuízo com as perdas das terras, o grupo estaria se organizando para levantar a quantia. “Um grupo de fazendeiros, “proprietários” de lotes do assentamento, Prevendo uma possível situação que os levariam a prejuízos em função da perda dos lotes comprados, estariam se cotizando para arrecadar uma quantia estimada em R$ 10 milhões para oferecer ao delegado responsável pelas investigações, Dr. Hércules Ferreira Sodré”. Os nomes dos envolvidos no suposto esquema de tentativa de suborno não foram revelados pela PF. Contudo, a possibilidade de suborno também está sendo investigada. Os documentos apreendidos e depoimento deverão ser analisados até o próximo dia 27 de dezembro. O relatório ressaltou que a cidade de Itanhagá (456 km ao norte de Cuiabá) sofre um forte clima de animosidade com ameaças e assassinados não esclarecidos. “Pessoas andam armadas. Assassinatos são cometidos. Ameaças estão sendo feitas. Pessoas sendo intimidadas.“ O local contaria apenas seis policias militares para cuidar dos mais 8 mil habitantes. Contudo, a região ainda conta com diversos capangas e fazendeiros que andam fortemente armados, para intimidar tanto a população local, quanto os próprios policiais. Até mesmo o posto da PM chegou a ser invadido pelos criminosos. “A polícia militar, única no local, conta com baixo efetivo e mesmo seus servidores já se viram em situação de confronto com parte da população que deseja o continuísmo, desacatando os servidores, tentando invadir o posto policial. (...) O informante foi vítima de tentativa de homicídio, que por pouco não foi levado a óbito. (...) Por pouco ele não morreu. Levou um tiro na mão e o autor ainda não foi preso.” Segundo a PF, somente 10% dos lotes são ocupados por pessoas condizentes com o programa da reforma agrária, ainda assim o grupo sofre constante pressão e quando deixam os lotes acabam tendo os bens retirados. ”Pessoas que saem de suas casas para fazer algum tratamento médico quando voltam os lotes já se encontram ocupados. Por conta de ameaças veladas ou diretas, a população não se encoraja para brigar por seus direitos”. Conforme o relatório da PF, o assentamento necessita de uma reformulação urgente com a devolução dos lotes aos seus verdadeiros destinatários, responsabilização dos criminosos e a recuperação da área degrada. Atualmente, 34 pessoas estão presas e 18 foragidas. Os acusados poderão responder por estelionato, fraude documental, associação criminosa, organização criminosa, invasão de terras da União, corrupção ativa e passiva. A PF indicou a possibilidade de ações como contrabando de agrotóxico e defensivos agrícolas, porte ilegal de armas de fogo e até tráfico de drogas.

Edição EDIÇÃO 16961




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