CIDADES
Sábado, 20 de Fevereiro de 2010, 09h:27
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Famílias não querem voltar ao Praeirinho
Moradores de 17 núcleos temem novo transbordamento e a derrubada de suas casas. Esperam que prefeitura lhes conceda terreno e não deixam ginásio
As 17 famílias do bairro Praeirinho atingidas pelo transbordamento do córrego do Barbado, abrigadas pela prefeitura no ginásio do Dom Aquino, se recusam a voltar para suas casas agora, mesmo com a redução do nível das águas. Diante do risco de novos transbordamentos e de que a erosão intensificada na margem do córrego comprometa mais ainda suas casas (a maioria de madeira), as famílias exigem do poder público moradias decentes, como já lhe foram prometidas. As famílias são oriundas principalmente da rua SD, conhecida como rua do cachorro sentado, ao largo de uma das margens do Barbado. Ali, o barranco enfraqueceu de uma vez, como aponta o soldador Orlando José da Silva, de 44 anos, cuja casa de madeira está torta, praticamente escorregando na medida em que a água faz a terra por baixo ceder. Ele vive ali há dois anos com dois filhos. A construção já era precária, mas agora está tão frágil que, ao entrar na casa, deve-se ter cuidado com o lugar em que se pisa. Orlando já retirou todos os móveis do local, que quase não aguenta mais peso, e espera das autoridades o mínimo de amparo. Nós sempre fomos contribuintes. Acho que devia vir alguém dar alguma assistência pra gente. Podiam dar pelo menos um terreno pra gente, protesta, engrossando o coro dos moradores, que se recusam a sair do ginásio para voltar à área de risco. Uma das moradoras mais antigas da região alagada, Maria Conceição dos Santos, 45 anos, informou ontem que os abrigados no ginásio exigirão a confecção de um termo de responsabilidade caso a prefeitura os obrigue a deixar o ginásio antes de providenciar-lhes moradia digna. A casa onde ela vive há 15 anos teve o piso rachado ao meio. Agora, um lado está escorregando na direção do córrego e, por isso, o telhado desta parte teve de ser retirado para o peso não puxar o lado restante da casa. De acordo com o presidente da Agência Municipal de Habitação Popular, João Emanuel, as famílias abrigadas no ginásio do Dom Aquino serão contempladas com casas populares em breve. O residencial com 70 casas será construído num terreno já demarcado no próprio bairro Praieirinho. Segundo o presidente, as obras devem começar na próxima segunda-feira, mas a habitação municipal tentará sensibilizar os moradores a deixarem o ginásio até o recebimento das casas, que só devem ficar prontas num prazo de quatro meses. Por outro lado, segundo Conceição, as referidas casas, na verdade, já haviam sido prometidas há dois anos. Enquanto isso, quem perde somos nós, indigna-se. RIOS A Defesa Civil Estadual divulgou ontem mais um boletim sobre a situação dos rios Cuiabá, Paraguai e Araguaia. Desses, apenas o Paraguai apresentou números preocupantes: segundo o monitoramento, a altura do rio, medida em Cáceres, estava 30 centímetros acima da cota de alerta, que é de 5,4 metros. Entretanto, o ritmo é de redução do nível, ponderou o major Agnaldo Pereira, da Defesa Civil. Na Capital, o nível do rio Cuiabá era de 6,92 a cota de alerta é de 8,5.