CIDADES
Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012, 21h:22
A
A
BELA MARINA
Famílias mudam para terreno irregular
STÉFANIE MEDEIROS
Da Reportagem
Os ex-moradores do bairro Bela Marina já começaram a construir suas casas nos lotes concedidos pelo governo do Estado. No entanto, a área ainda não foi oficialmente desapropriada. Segundo o defensor público Munir Arfox, todos os documentos já foram encaminhados para que o processo de desapropriação seja oficialmente concluído e divulgado. Por enquanto, o defensor esclareceu que só possui um aval verbal do governo. O terreno, que já passou pelo processo de limpeza e abertura de ruas, ainda se encontra inadequado para habitação. Cheio de galhos de árvores e mato, também se encontra com lixo por toda a parte. O esgoto corre a céu aberto e passa ao lado da área. Segundo o aposentado Osvaldo Maximiliano Sacramento, 54 anos, que ficou 37 dias no ginásio, não foi dada as condições necessárias para que eles se mudassem com o mínimo de segurança e conforto. Maximiliano conta que acordou às seis horas da manhã para ir comprar materiais para a construção de seu barraco em um dos lotes. No entanto, só conseguiu comprar parte do que era necessário, e teve que pagar R$ 150 para que o caminhão da madeireira transportasse os itens adquiridos até o local. De acordo com ele, os moradores só tinham autorização pra ficar até ontem no ginásio. No entanto, a maioria havia saído antes e foi para a casa de familiares por não terem condições de se mudarem para os lotes no Nova Jerusalém. Eu só tenho uma mão e não tenho onde ficar. Como vou construir um barraco em um dia se eu ainda nem consegui comprar todo o material?, questiona. Outra questão levantada pelo morador foi o fato de que algumas pessoas já estão negociando a venda de seus lotes. Maximiliano contou que no domingo um de seus vizinhos estipulou o valor de R$ 10 mil pela área cedida. São pessoas que tiram vantagem da situação e deixam a gente que realmente precisa parecendo aproveitador. A diarista Carmem Assis da Silva, 44 anos, também estava saindo do ginásio na tarde de ontem. Ela contou que os caminhões prometidos pela prefeitura não foram cedidos, e que teve de pagar R$ 100 para transportar seus móveis. Ela explicou que a situação é desumana com os moradores, apesar de eles terem conseguido um lugar pra morar. Agora a gente tem um pedaço de terra, mas não temos condições de já ir morar lá. Carmem disse que vai ter que se hospedar na casa de seu filho até conseguir limpar o terreno e construir sua nova moradia. Na data do despejo, dia 8 de agosto, eles saíram da propriedade por conta de uma ordem liminar determinava reintegração de posse ao dono. Sem ter para onde ir, todos os móveis e demais pertences foram levados por caminhões até o ginásio Dom Aquino.