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CIDADES
Quarta-feira, 08 de Agosto de 2012, 20h:57

DESPEJO

Famílias invadem ginásio

Após ação de reintegração de posse, invasores foram ao local em busca de abrigo, porém foram barradas

STÉFANIE MEDEIROS
Da Reportagem
Cerca de 80 famílias foram despejadas no bairro Bela Marina na manhã de ontem em cumprimento a uma liminar de reintegração de posse. Elas foram conduzidas ao Centro Esportivo Manoel Soares de Campos, mais conhecido como ginásio Dom Aquino, porém tiveram a entrada barrada devido ao desentendimento entre as secretarias municipais de Educação e Esporte. Por conta disto, fecharam a avenida Carmindo de Campos por aproximadamente uma hora e invadiram o local. As pessoas iriam ficar alojadas no ginásio por 15 dias, prazo em que o governo do Estado ficou de providenciar um local para elas serem realocadas. Colchões e alimentos já estão garantidos para todos os afetados. No entanto, segundo o defensor Air Praeiro, há descaso por parte do município em relação às pessoas. Ele conta que teve a autorização do secretário Municipal de Educação, Silvio Fidelis, para utilizar o ginásio Dom Aquino como abrigo provisório. Ao chegar lá, a entrada no estabelecimento foi barrada devido às ordens do secretário de Esportes, João Bosco Cruz, que afirmou que iria pessoalmente ao ginásio resolver a situação. Como não houve resposta por parte do secretário, as famílias invadiram o espaço, enquanto Praeiro providenciava um pedido de liminar para garantir o direito de permanências no local por um prazo de 15 dias. Ele também afirmou que fará uma denúncia na Corte Interamericana de Direitos Humanos. “Eles já tiveram paciência demais”, disse por telefone. A reportagem do Diário procurou o secretário João Bosco, mas seu telefone estava desligado. Por volta das cinco e meia da tarde, uma parte dos moradores fechou a avenida Carmindo de Campos por aproximadamente uma hora e o restante descarregou os pertences no ginásio. As ações aconteceram de forma simultânea. Por conta dessa invasão ao centro de esportes, um defensor geral foi ao local e afirmou que irá entrar com uma ordem de reintegração de posse do ginásio. A reportagem entrou em contato com a Procuradoria Geral do Município para obter mais informações, mas não houve resposta até o fechamento desta edição. O despejo no Bairro Dom Aquino começou por volta das seis horas da manhã de ontem. Os moradores, que estavam no local há quatro meses, fizeram uma barricada de fogo para desacelerar a ação policial. Eles temiam que houvesse violência, como a registrada no Jardim Humaitá, onde a desocupação acabou com vários feridos. Porém, o processo foi pacífico e as pessoas retiraram seus móveis e pertences voluntariamente. A liminar de manutenção e reintegração de posse dos proprietários foi expedida pelo juiz Helvio Carvalho Pereira, da 20° Vara Cível da Capital. O representante dos invasores, o advogado João Batista, afirma que eles não sabiam que a propriedade era privada quando entraram e montaram seus barracos. “Essas pessoas só vieram pra cá porque não têm pra onde ir”, disse. Ele também conta que antes a área era um matagal que abrigava usuários de drogas e criminosos. O local também era usado como desmanche de carros. Maria Gonçalina, mãe de quatro meninas, diz que construiu seu barraco na área porque não tinha outro lugar para morar. Antes de ir para o local, ela conta que morava no fundo da casa da mãe. “Eu só quero um cantinho para construir minha própria casa”. Rosângela da Silva, 22 anos, explica que ganha R$ 622 por mês, e não tem como financiar sua própria casa. “Depois que a gente teve todo o trabalho de limpar a área que apareceu o dono. Por que lixo pode ficar aqui, mas a gente não?”, questiona.

Edição EDIÇÃO 16962




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