CIDADES
Sábado, 01 de Setembro de 2012, 13h:54
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DESCONTROLE
Famílias crescem sem nenhum planejamento
Mulher está grávida do 8º filho, diz que não consegue ter acesso a laqueadura no serviço público de saúde e sobrevive com ajuda do Bolsa Família
ALECY ALVES
Da Reportagem
No sexto mês da gravidez do oitavo filho, Neidmar Alves da Silva, 35 anos, moradora de Várzea Grande, deve se tornar avó um mês antes do nascimento de seu filho. Tânia, a quarta filha dela, de apenas 13 anos, está no sétimo mês de gestação. Tainá, de 17 anos, filha mais velha de Neidmar, também está grávida. No terceiro mês, Tainá, que mora com o marido na periferia de Cuiabá, confirmou a gravidez à mãe está semana. As filhas de Neidmar estão reproduzindo a história da mãe, que chegou à maternidade precocemente, antes dos 18 anos, sem nenhuma assistência pública ou orientação sobre como planejar o tamanho da própria família. Ela, que fez pré-natal regularmente e teve a maioria dos partos em hospital conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS), esbarra na burocracia de setor público quando o assunto é a laqueadura, cirurgia que esterilização. Neidmar contou que um ano depois de ter o terceiro filho chegou a fazer os exames preparatórios para a laqueadura, mas a cirurgia não pode ser realizada porque durante os procedimentos descobriu que estava gestante. Recentemente, quando já estava grávida, buscou informações sobre como fazer a esterilização e foi informada que somente depois de passar pelos serviços de assistente social e psicológico, juntamente com o marido, de quem precisaria de assinatura, poderia receber o encaminhamento da operação. Acontece que o marido, diz, não quer participar desse processo. Reclamando de efeitos colaterais das pílulas que se manifestariam em forma de náuseas e tontura, ela diz que nunca fez uso regular de nenhum método anticoncepcional. Camisinha? Nunca tentei usar, diz. No caso de Neidmar, também chama a atenção a facilidade de dar luz aos bebês. Ela relatou que teve dois filhos em casa, com ajuda de vizinhas, e um nasceu na residência onde trabalhava como doméstica, na cama da patroa. Os outros quatro nasceram na sala de pré-parto do hospital público onde deu entrada horas antes porque não teve tempo de ser levada para a sala de parto. Nenhum dos filhos dela pesou menos de 3,5 quilos ao nascer, teve até uns de 4 e 5 quilos, conforme relatou à reportagem. Na família dela, o Bolsa Família se constituí na principal fonte do sustento. Como todos os filhos ainda são menores de idade, ela recebe um benefício do governo Federal no valor de R$ 480. O dinheiro é complementado pela renda do marido, que trabalha como servente de pedreiro. A gravidez da filha Tânia, de apenas 13 anos, surpreendeu e assustou a mãe. No caso da menina, conselheiros tutelares conversaram com a mãe, a menina e o rapaz apontado como pai. Além da orientação periódica à família e do encaminhamento para unidade de saúde, o Conselho, juntamente com o Juizado da Infância e Juventude, prevê a realização de exame de paternidade logo após o nascimento da criança.