CIDADES
Sábado, 22 de Junho de 2013, 17h:21
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RECONSTITUIÇÃO DE MAMA
Faltam cirurgiões no SUS
Mulheres que passaram pela cirurgia de retirada do seio lutam para fazer o procedimento em Cuiabá
ALECY ALVES
Da Reportagem
O número de médicos especialistas credenciados para a cirurgia de reconstituição de mama é pequeno e alguns ainda estão abandonando o Sistema Único de Saúde (SUS) por causa da baixa remuneração e falta de estrutura para operar. A cabeleireira M.C.L., 50 anos, moradora do bairro CPA, que teve câncer de mama há alguns anos, já estava com os pedidos de exames pré-operatórios em mãos quando o médico a informou que estaria se descredenciando do sistema público. Mais de 40 dias depois de receber a notícia e passada a validade das requisições dos exames pré-operatórios, a cabeleireira continua sem saber o que fazer. Constrangida, ela diz que não suporta mais usar enchimento no sutiã na tentativa de se sentir menos desconfortável com a ausência da mama. O médico Marcelo Ramos Mendes, mastologista especialista em reconstrução de mama, é um dos que não querem mais operar pelo SUS. Mendes diz que depois de cinco anos operando, se desvinculou do setor público por causa da falta de estrutura e da baixa remuneração. O especialista diz que não tem como continuar operando com uma equipe tão restrita, de apenas dois profissionais, ele e o instrumentador. Em um procedimento tão complexo e demorado, explica, precisaria de pelo menos um cirurgião auxiliar, mas o SUS não consegue montar equipe. Marcelo Mendes observa que por mais que o profissional tenha boa vontade não consegue operar sozinho. E, pondera, não é o correto transformar o instrumentador em cirurgião auxiliar, como vinha ocorrendo. Na condição solitária, completa o médico, fazia duas cirurgias por semana, sendo que com uma equipe poderia fazer até cinco. A falta de médicos não é o único problema no SUS. Nem todas as vezes que há operações agendadas o serviço público dispõe de próteses para substituir as mamas retiradas por causa da doença. Além disso, reclama o médico, há restrição de modelo, tamanho e outras dificuldades. Há muitos anos o SUS é obrigado a fazer a reconstrução da mama nos casos de mutilação decorrente do câncer, conforme a indicação médica. A partir deste ano, com a aprovação de uma nova lei, teoricamente as mulheres passaram a ter direito, também, ao implante de silicone ou qualquer outro método reparador no mesmo tempo cirúrgico da retirada. Antes disso, o governo Federal já havia decidido que o tratamento de câncer em mulheres deveria começar em, no máximo, 60 dias após o diagnóstico da doença. Se é que haveria necessidade de lei para assegurar o acesso ao serviço que pode fazer a diferença entre viver e morrer. A Secretaria de Saúde de Cuiabá, por meio da assessoria de imprensa, informou que desconhece o descredenciamento de médicos assim como casos de pacientes que não estão conseguindo fazer a cirurgia. O órgão é responsável pela Central de Regulação.