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CIDADES
Sábado, 05 de Maio de 2012, 13h:33

TRÂNSITO

Falta vaga; e não estamos falando do Centro

Com o aumento do número de carros, a falta de vagas para estacionar já não é mais um problema restrito à região central de Cuiabá

ALECY ALVES
Da Reportagem
A falta de vagas para estacionar não é um problema restrito à região central de Cuiabá. Nos bairros do entorno do centro e nas áreas comerciais da periferia, os consumidores já começam a enfrentar dificuldade para deixar seus veículos. Em vias próximas ao centro, nas quais até pouco tempo sobravam vagas, como nas avenidas Estevão de Mendonça, Lava Pés e São Sebastião, moradores e consumidores reclamam da escassez de espaços públicos para deixar seus carros. O comerciário Luiz Roberto dos Santos Ferreira, 38, funcionário de uma empresa na Avenida Estevão de Mendonça, diz que a cada dia estaciona mais longe do trabalho. Ele recorda que há até uns três anos atrás era fácil parar praticamente ao lado do prédio onde trabalha. Luiz Roberto, que comprou seu primeiro automóvel há quatro anos, acredita que isso acontece por causa das facilidades de financiamento de carros. “Eu mesmo só tenho esse aqui, disse, apontando para o veículo, porque pude pagá-lo em 48 vezes”, observou. Indagado sobre qual seria a solução para ampliar as vagas, Luiz Roberto disse que não sabe. “Talvez melhorar o transporte coletivo”, opinou, mas avisa que mesmo que isso aconteça não abandonará o conforto do carro para andar de ônibus. Nas duas principais vias do centro comercial do bairro Morada da Serra (CPA) - na Rua Pernambuco e na Avenida Brasil -, encontrar vaga para parar está quase tão difícil quanto na região central de Cuiabá, especialmente no horário bancário. O bairro dispõe de diversas agências bancárias, entre as quais Caixa Econômica, Banco do Brasil e Bradesco, além de lotéricas, grandes lojas de rede (City Lar, Supermercado Modelo e Stúdio Z, por exemplo), atraindo cada dia mais consumidores. Proprietária de uma loja de colchões no cruzamento das ruas Pernambuco e Joinvile, Carla Andreza Ramos Duarte reclama que as vagas que seriam destinadas aos consumidores acabam sendo ocupadas pelos funcionários das lojas. Mesmo assim, Carla diz que trabalhar no CPA é melhor do que na área central. No CPA, observa, o trânsito não está tão tumultuado, é possível encontrar vagas em ruas próximas às lojas e os clientes são fiéis quando aprovam o atendimento e os produtos oferecidos. A estudante Graciela Maria dos Anjos Silva, 28 anos, que mora no bairro Dr. Fábio e trabalha em uma residência no CPA IV, conta que há mais de 60 dias não vai ao centro de Cuiabá. Ela diz que tudo que precisa fazer, tanto compras como pagamentos, resolve no CPA mesmo. Talvez por isso, ou seja, a diversidade de produtos e serviços, avalia Graciela, tem tanta gente fugindo do centro. O servidor público Luiz Otávio Pereira contou que até pediu transferência do trabalho para uma unidade do CPA. Luiz Otávio disse que desde que mudou o local de trabalho, há três meses, não retornou ao centro de Cuiabá. “Eu gastava com combustível, estacionamento e ainda passava raiva no trânsito”, completa. Ele ainda usa o carro para ir ao trabalho, seu percurso reduziu de oito para três quilômetros. O presidente da Associação Comercial de Cuiabá, Jonas Alves, disse que a facilidade para estacionar o carro atrai consumidores às compras. Na área central, lamenta ele, até nos estacionamento privados há dificuldade para encontrar vagar. Se o cliente precisar estacionar muito longe da loja ele acaba desistindo e buscando um lugar mais seguro, avalia. No centro, os prédios antigos não dispõem de vagas para estacionar e as que áreas públicas, nas margens das ruas, não são suficientes para atender a demanda. Esse problema, assinala Jonas Alves, agravou ainda mais com a explosão do consumo de carros.

Edição EDIÇÃO 16968




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