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CIDADES
Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010, 20h:26

TRANSPLANTE

Falta de alvará impede cirurgias em MT

Transferência de rins não é mais feita no Estado por falta do credenciamento federal do HGU, o que depende de liberação da prefeitura

ALECY ALVES
Da Reportagem
Por falta de hospital credenciado, há um ano e meio, desde abril de 2009, Mato Grosso não faz transplantes de rins. Enquanto isso, 628 pacientes esperam na fila por um rim novo. Os problemas administrativos e a burocracia do setor público de saúde fazem com que a vida desses portadores de doenças renais crônicas continue na dependência da hemodiálise (filtragem mecanizada do sangue). Em Cuiabá, o único hospital que se candidatou à realização de transplantes, Geral Universitário (HGU), não dispõe de alvará sanitário, assim como a maioria das unidades hospitalares públicas e privadas da Capital. Semana passada, os órgãos doados pela família do estudante Robert Senatore Vargas Rodrigues, 19, morto em acidente de moto, tiveram de ser levados para pacientes de outros estados. Os rins salvaram duas vidas, uma em Brasília (DF), outra em Curitiba (PR). Já o fígado dele foi transplantado em um homem em Fortaleza (CE) que estava hospitalizado em estado grave e poderia morrer num prazo de 24 horas se não recebesse o órgão novo. A portaria 2600/09, do Ministério da Saúde, entre outras exigências, condiciona o credenciamento para transplante à apresentação do alvará sanitário do hospital. A coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Fátima Melo, explicou que o credenciamento precisa ser renovado a cada dois anos, com apresentação da documentação atualizada, inclusive o alvará sanitário, que é expedido anualmente. Em 2009, antes da suspensão do credenciamento, o HGU fez quatro transplantes de rins, dois intravivos (entre pessoas vivas), e dois de órgãos retirados de cadáveres. No ano anterior, já havia realizado oito. A verdade é que os procedimentos de transplantes de órgãos nunca foram realizados com regularidade em Mato Grosso, exceto nos dois primeiros anos de credenciamento do Estado - em 1999 e 2000 -, quando havia dois hospitais habilitados, o Santa Rosa e no HGU, e chegou a fazer mais de 30 ao ano. Desde que o Hospital Santa Rosa e sua equipe médica se descredenciaram, em 2005, o Estado deixou de fazer transplantes de órgãos retirados de pessoas mortas. Com cirurgias intravivos, o número reduziu para menos de 10 ao ano. No entendimento de Fátima Melo, somente diferenças políticas justificariam a recusa da Secretaria Municipal de Saúde em expedir o alvará sanitário em favor do Hospital Geral. Fátima comentou que se o hospital está capacitado para fazer cirurgias cardíacas e tantos outros procedimentos complexos, por que não poderia obter o alvará que o habilitaria para transplantes. Fátima elogiou a disposição e o atendimento do hospital e equipe médica do São Mateus na preparação e retirada dos órgãos do estudante Robert Rodrigues. Além de formalizar um documento de agradecimento, ela disse que a Central quer abrir uma discussão com a unidade hospitalar e seus profissionais sobre a possibilidade de credenciamento para transplante.

Edição EDIÇÃO 16960




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