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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009, 21h:13

JORNALISMO

Faculdades apostam no aprimoramento

Fim da exigência do diploma, conforme decisão do STF, trará como conseqüência melhor qualidade aos cursos e a procura de quem quer se profissionalizar

KEITY ROMA
Da Reportagem
Representantes das faculdades de Jornalismo de Cuiabá enxergam o aprimoramento futuro dos cursos superiores do segmento como uma das conseqüências da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em extinguir a exigência do diploma de nível superior para o exercício da atividade jornalística. A sentença da mais alta Corte judicial assustou estudantes e dividiu opiniões entre profissionais e cidadãos nas discussões nacionais sobre a qualidade da notícia que passará a ser produzida e veiculada. “Em uma economia aberta, essa profissão acaba sendo regulada pela lei da competência, como acontece com a administração, por exemplo. Isso encaminhará os cursos superiores a buscar a excelência na formação. Uma das mudanças será a necessidade de se melhorar os cursos universitários para formar bons profissionais. Isso já é uma realidade na Europa e nos Estados Unidos”, defendeu o professor de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso, Paulo da Rocha Dias. A coordenadora de Comunicação Social da Unirondon, Kátia Pecoraro, afirmou que apesar de esperar uma queda na quantidade de alunos que buscam curso superior para obter apenas um diploma, a evolução do curso será uma tendência. “O diploma passará a ser para a excelência. O curso será procurado por alunos com perspectiva e responsabilidade, o que para um centro de formação é ótimo. As faculdades terão que se fortalecer e investir na formação humana, ao contrário do que vem sendo feito nos últimos anos, quando se priorizou as inovações tecnológicas”, falou a coordenadora. O Núcleo de Comunicação Social da UFMT frisou em nota a importância acadêmica no desenvolvimento do profissional. “O jornalismo, além de prática profissional, é também um campo de estudo científico, um campo de ensino, e a academia é o espaço por excelência para se pensar, pesquisar e produzir conhecimento, contribuindo para o aperfeiçoamento da realidade e para criar referências para a vida associada”. A decisão judicial decepcionou a estudante Andressa Barbosa, de 21 anos. Ela cursa o 4º semestre de Jornalismo na UFMT. “Surpresa não é, mas desvaloriza muito a profissão. Muito mais que um medo de perder espaço no mercado é uma decepção”, afirmou Andressa. “Ainda não sabemos qual será o impacto dessa decisão sobre os alunos, se vão desistir dos cursos ou não”, disse a professora Sônia Zaramella. “Quinze anos depois de diplomar a primeira turma da UFMT, de acompanhar a criação de novas escolas de jornalismo no Estado e de observar a evolução do mercado de comunicação mato-grossense, vamos interromper agora, um processo que estava em curso com êxito e com grandes benefícios para a sociedade como um todo”, complementou a docente sobre os possíveis reflexos negativos da decisão na qualidade da informação. O STF julgou quarta-feira o Recurso Extraordinário (RE) 511961 e determinou o fim da exigência do diploma.

Edição EDIÇÃO 16961




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