CIDADES
Quinta-feira, 15 de Maio de 2008, 20h:40
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TRIBUNAL
Existência de poucos peritos fragiliza júris no interior
ALINE CHAGAS
Da Reportagem
O número reduzido de peritos criminais e a falta de mais cidades-pólos com equipes de perícia em Mato Grosso são fatores determinantes para que condenações em crimes considerados resolvidos por promotores de Tribunal do Júri não ocorram. Durante o III Encontro dos Promotores do Júri de Mato Grosso, em realização desde quarta no Ministério Público de Mato Grosso, houve destaque para importância da perícia aos Tribunais de Júri, investigação considerada fundamental para juntar provas concretas sobre os crimes que estão sendo julgados. O coordenador do encontro e presidente da Confraria do Júri, procurador de Justiça João Batista Almeida, explicou que atualmente os promotores de Júri trabalham muito mais com provas testemunhais do que com provas técnicas periciais. O tipo de prova mais utilizado, no entanto, é considerado muito frágil, porque uma testemunha pode dar um depoimento no início da investigação e, depois, mudar a história por motivos diversos, até mesmo coação. O promotor de São José do Rio Claro (distante cerca de 300 quilômetros de Cuiabá), César Danilo Ribeiro de Novais, contou que em muitos municípios do interior de Mato Grosso a falta de equipes de perícia influencia muito em resultados de julgamentos. César comentou que muitos membros de Júri ficam apreensivos em condenar uma pessoa e, sem provas técnicas, há muito mais chances de eles terem dúvidas sobre os crimes. O promotor lembrou que em São José do Rio Claro não há sequer peritos médicos legistas, o que faz necessário o transporte de vítimas de estupro ou vítimas de homicídio até a cidade de Diamantino, distante cerca de 120 quilômetros da cidade. Esta situação é grave. Enquanto o crime se organiza, o Estado não se une. É preciso que todos trabalhem para melhores resultados em investigações: Polícia, Promotoria e Justiça. Quem ganha com isso é a sociedade, ponderou. O perito criminal do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal, Cássio Thyone Almeida da Rosa, veio a Cuiabá para ministrar palestra no evento. Segundo ele, o conhecimento de peritos em todo o Brasil é grande e o trabalho destes profissionais é sim fundamental para a formulação de um inquérito, denúncia e a defesa em um Tribunal de Júri. Cássio comentou que o trabalho da equipe de perícia de Cuiabá não fica atrás de cidades maiores no Brasil. A Secretaria de Justiça e Segurança Pública explicou, através da assessoria de imprensa, que em Mato Grosso há regionais com equipes de perícia em municípios do interior. Cada regional é responsável por atender a área do entorno, porém pode acontecer de quando a equipe se desloca para um lugar, a sede ficar descoberta, devido ao número reduzido de profissionais.