Ex-guerrilheiro defende que dados devem ser divulgados
\"Esses arquivos demonstram que a repressão e a vigilância foram muito mais amplas do que se imagina. Muitos foram fichados e acompanhados simplesmente por serem ativistas sociais ou participarem de um ato político. Era algo indiscriminado\", avalia Gilney Viana, em entrevista ao DIÁRIO. Atualmente na Secretaria Nacional de Direitos Humanos, onde coordena o projeto \"Direito à Memória e à Verdade\", o ex-guerrilheiro defende que toda a documentação referente à ditadura venha à tona \"para que se conheça o que aconteceu e para que não se repita\". Viana conta que foi preso pela primeira vez em 1964, durante o golpe militar. Em março de 1970, já vivendo na clandestinidade, foi novamente capturado, desta vez pelo DOI-Codi do Rio de Janeiro. \"Fui barbaramente torturado e tive que presenciar a tortura de outros companheiros, o que é algo terrível\", recorda. Réu em 10 processos na Justiça Militar, acabou condenado em oito e ficou preso até o natal de 1979, quando foi liberado em regime condicional. Sobre a opção pela luta armada, Viana diz considerar \"legítima\" diante das circunstâncias da época. \"O direito à rebelião contra um regime opressor é reconhecido no Direito Romano. Era, portanto, um caminho legítimo naquele momento histórico. É claro que hoje a situação é outra\", diz. Sobre a própria ficha disponibilizada na internet, ele afirma que se orgulha das ações do passado. Meus torturadores não podem dizer o mesmo. Então podemos dizer que eles nos venceram militarmente, mas acabaram derrotados moralmente\", afirma. (RV) LEIA TAMBÉM #LINK#429892#Mato-grossenses no arquivo do DEOPS #LINK#429893#Ex-guerrilheiro defende que dados devem ser divulgados #LINK#429893#Qualquer pessoa considerada subversiva pelo governo era fichada e observada