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CIDADES
Sábado, 10 de Dezembro de 2011, 13h:19

EDUCAÇÃO

Estudantes têm que suar para aprender

A falta de ar condicionado nas salas de aula castiga os alunos da maioria das escolas públicas e prejudica o aprendizado

ALECY ALVES
Da Reportagem
Em Cuiabá, onde as altas temperaturas predominam nas quatro estações do ano e a climatização dos ambientes fechados passou a ser essencial, o calor castiga os estudantes da maioria das escolas públicas. Na cidade que se tornou referência quando o assunto é o calor e os termômetros registram cotidianamente 39, 40 ou mais graus centígrados, nem mesmo nas unidades escolares onde foram instalados aparelhos de ar condicionado, com algumas exceções, as crianças podem desfrutar de temperaturas mais agradáveis. A reportagem do Diário visitou algumas escolas, tanto estaduais como municipais, e constatou a falta de adequação predial, de manutenção dos equipamentos e de ações sistematizadas visando à melhoria desse tipo de serviço. Na Escola Estadual Leovegildo de Melo, situada no bairro CPA III, Setor V, há seis salas com aparelhos de ar condicionado que não podem servir aos alunos porque as instalações elétricas não suportam o consumo de energia. Se forem ligados, como já aconteceu, diz o diretor Amauri Euzébio Silva, há uma queda imediata no fornecimento e toda a escola fica sem luz. Essa situação perdura há vários anos. Silva disse que está aguardando um repasse emergencial da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) para fazer melhorias. Com 1.765 alunos matriculados nos três turnos, incluindo os da Educação de Jovens e Adulto (EJA), a Escola Leovegildo de Melo, construída há mais de 20 anos, necessita de uma reforma geral, não apenas de adequação da rede elétrica. Na Escola Municipal Tereza Lobo, no bairro Dom Aquino, a situação é parecida. Das oito salas, apenas três são climatizadas e, mesmo assim, os aparelhos não podem ser ligados regularmente. Pelo mesmo problema verificado na unidade estadual, ou seja, precariedade das instalações elétricas, na maior parte do tempo de permanência em sala de aula os estudantes contam somente com os ventiladores. Como em Cuiabá o calor é insuportável até em áreas cobertas com ventilação natural, na Escola Tereza Lobo a direção optou por instalar 10 ventiladores no pátio onde acontecem os eventos coletivos e as crianças brincam nos intervalos das aulas - um espaço com menos de 250 metros quadrados. Nessa escola a diretora preferiu não se manifestar. O estudante Juscelino da Silva, de 13 anos, sonha em estudar em um ambiente climatizado. “Ventilador ajuda, mas em Cuiabá não é suficiente, a gente fica sem saber o que fazer de tanto calor”, reclama. A adolescente Mariana de Jesus Alves da Silva, de 15 anos, observa que até a igreja que freqüenta com os pais dispõe de ar, enquanto a escola onde estuda só conta com um ventilador “velho e barulhento”, como bem definiu.

Edição EDIÇÃO 16967




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