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CIDADES
Sábado, 01 de Agosto de 2009, 14h:16

PRODÍGIO

Estudante realiza sonho através de bolsa

Josiane de Siqueira ficou em primeiro lugar no concurso de crédito universitário da prefeitura e conta como ainda está surpresa com resultado

NATACHA WOGEL
Da Editoria
A estudante-prodígio Josiane Venite de Siqueira, de 18 anos, primeiro lugar entre 500 colocados no concurso de bolsas universitárias promovido pela prefeitura de Cuiabá, se diz ainda surpresa com o resultado do concurso. Mesmo diante do fato de que sempre se destacou nos estudos. Ela vai cursar Medicina - faculdade com que sonha desde menina - a partir da próxima semana, na Universidade de Cuiabá. O curso tem o custo mensal de R$ 3,6 mil, valor impensado à sua família, cuja renda é inferior a seis salários mínimos, para ser empregado em estudos. Mas, por ela, não seria necessário despender tal recurso, pois conseguiu alcançar seu ideal por mérito próprio. “Sempre quis ser médica, sempre admirei a postura médica do ponto de vista humano da profissão. Uma das cláusulas do concurso foi a necessidade de se fazer serviço voluntário de 400 horas, isso me interessou ainda mais”, comentou a jovem. Josiane estudou em escolas conceituadas na Capital. Porém, sempre através da concessão de bolsa. O ensino fundamental, fez no Centro Educacional Maria Auxiliadora, por meio de bolsa integral. O segundo grau, concluído em 2007, ela estudou no antigo Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), onde preferiu não fazer um curso técnico, pois já vislumbrava a carreira de medicina. Para completar, fez cursinho preparatório para o vestibular no Master, onde também tinha bolsa integral. Ela está inscrita no Enem deste ano e pleitearia uma vaga no curso de Medicina da UFMT, mas, diante da conquista, já vai se matricular esta semana na Unic. Com poucos recursos, Josiane vive com a mãe e a irmã mais nova em uma casa no bairro Poção. Sua renda vem, necessariamente, da pensão alimentícia paga pelo pai. A mãe é estudante, cursa Geologia na UMFT, e cuida da casa. O único trabalho que Josiane já teve foi na vaga de bolsista – uma espécie de estágio – no Cefet, enquanto estudava o ensino médio. A facilidade da estudante nas diversas áreas do conhecimento colaborou para o resultado positivo. Josiane disse gostar de matemática a ciências humanas – história, geografia. Mas aprecia, sobretudo biologia. Não é à toa que seguirá a carreira de médica. Ela pensa em se especializar em cirurgia geral, mas, ainda diante da euforia de começar a faculdade, disse que avaliará o aprendizado para saber exatamente no que atuará. “Mas quero trabalhar no serviço público”, frisou. REGIONALIZADO - Quanto ao nível de dificuldade da prova promovida no concurso do Crédito Educativo Municipal, Josiane considerou que foi bem elaborada, sobretudo quanto aos aspectos regionais. E, apesar da facilidade nos estudos, não achou que foi “molesa”. “Não estava me sentindo muito bem no dia da prova. Ela tinha ‘cara’ de fácil, mas teve muitas questões regionais, inclusive abordou um litígio de terra entre Mato Grosso e o Pará. Bem elaborada”, exemplificou, completando que os amigos acharam o concurso fácil, porém muitos não alcançaram vagas. A estudante se disse impressionada com a lisura da disputa. “Achei muito boa a iniciativa de inclusão. Além disso, foi tudo muito justo, eles apresentaram as notas pra gente, a classificação, não houve problema”, declarou. Cerca de 12 mil pessoas concorreram às bolsas universitárias cedidas pela prefeitura, que divulgou na quinta-feira o resultado.

Edição EDIÇÃO 16962




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