CIDADES
Terça-feira, 12 de Agosto de 2008, 21h:13
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DUPLA FACE
Esquema põe 32 na prisão
Dezesseis servidores públicos do Incra e da Receita
Federal, além de 16 despachantes, são alvo de operação
ADILSON ROSA E ALEXANDRE APRÁ
Da Reportagem
A Polícia Federal prendeu 32 pessoas envolvidas em corrupção no Incra e na Receita Federal em Mato Grosso. A operação Dupla Face, desencadeada ontem, cumpriu 16 mandados de prisão contra funcionários públicos, sendo 13 do Incra, três da Receita Federal, e contra 16 despachantes - pessoas que intermediavam o esquema criminosos, que consistia na cobrança de propinas em troca de facilitação e agilidade em processos fundiários. Até o final da tarde de ontem, duas pessoas ainda não tinham sido presas e eram consideradas foragidas. Além dos presos, cerca de outras 30 pessoas foram indiciadas, a maioria proprietários rurais. A ação aconteceu em Mato Grosso e em mais quatro estados Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Ao todo, foram expedidos 34 mandados de prisão e 65 de busca e apreensão. Em Cuiabá, foram presas 26 pessoas, três em Diamantino, uma em Araguari (MG) e uma em Campo Grande (MS). Já as apreensões aconteceram em Sinop, Confresa, Sapezal, Arenápolis e Cáceres. A partir das investigações, que começaram em 2006, os agentes federais identificaram a existência de duas organizações criminosas distintas: inicialmente, uma agia no Incra e outra, na Receita Federal e um dos envolvidos, que não teve o nome revelado pela PF, era o elo entre os dois esquemas. No Incra, a fraude envolvia a cooptação de produtores rurais que tinham a necessidade de obter o certificado do cadastro imóvel documento essencial para tomada de financiamento público e registro da propriedade em cartório no caso de venda. Aparecia a figura do despachante, que fazia a ponte entre o dono das terras e o servidor do órgão. Ele fazia o pagamento da propina e, com isso, o processo de regularização era acelerado. Com o certificado, a pessoa conseguia financiamento junto a órgãos competentes, entre outros benefícios. Então, acabavam pagando para ter celeridade no processo e obtendo o certificado, explicou o superintendente da PF, Oslain Campos Santana. O valor das propinas variava de R$ 100 a R$ 40 mil e era pago em dinheiro. Eles se corrompiam cobrando diversos valores, os mais variados possíveis de quantias pequenas a grandes. Pegavam o que vinha, observou um agente federal. Conforme o delegado federal Luciano de Azevedo Salgado, responsável pelas investigações, há indícios de que, além das propinas, haja processos que tenham sido fraudados. A investigação indica que existem documentos falsos nos processos que foram apreendidos no Incra. Mas isso só poderá ser confirmado após a análise, completou. Os envolvidos serão indiciados por corrupção ativa, no caso dos despachantes e passiva, no caso dos servidores públicos e todos por formação de quadrilha. As penas para esses crimes variam de dois a 12 anos de prisão. PROCURADOR Entre os presos, está o procurador do Incra, Antonio Reginaldo Galdino Delgado. Segundo as investigações da polícia, ele participava do esquema criminoso emitindo pareceres favoráveis aos interesses da quadrilha. Ele e todos os presos estão com prisão temporária de cinco dias decretada pela 2ª Vara da Justiça Federal. Ontem à tarde, eles foram encaminhados à Penitenciária Central de Cuiabá (antigo Pascoal Ramos), ao Carumbé e à Polinter. Por determinação da Justiça, o procurador do Incra foi encaminhado a uma sela de Estado maior, no 44ª Batalhão de Infantaria Motorizada, em Cuiabá. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Incra informou que o superintendente regional do órgão, João Bosco de Moraes, não iria se manifestar ontem para informar quais as medida administrativas que serão tomadas. A reportagem tentou contato por telefone por várias vezes com a assessoria da Receita Federal, mas o assessor não foi encontrado e a secretária não informou o celular.