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CIDADES
Quinta-feira, 05 de Junho de 2008, 21h:13

PRESÍDIO FEMINIO

Espaço infantil é alento a presidiárias

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
A alegria e a satisfação surgiram nos rostos das crianças e mães que vivem na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May quando entraram na brinquedoteca que compõe o espaço materno-infantil do local, inaugurado ontem. Alheias aos discursos das autoridades públicas e dos responsáveis pela obra, as crianças se esparramaram e começaram a brincar com os carrinhos e bolas colocados no ambiente colorido, que foi reformado com a doação de empresários e comerciantes e com a solidariedade dos voluntários da Associação George Almeida Souza (Avogás). O serviço também contou com a mão-de-obra das próprias presidiárias e dos reeducandos do presídio masculino. “Ficou muito bonito. Agora a gente vai poder estudar ou trabalhar (dentro da própria unidade) e deixar os nossos filhos em um lugar como este”, disse a presidiária Ivone Pereira de Souza, 24 anos, mãe de uma garota de dois anos e meio, mesmo tempo em que ela está presa na unidade carcerária por tráfico de droga. “A gente fica muito feliz em saber que os nossos filhos serão cuidados num lugar como este”. Quem também estava satisfeita era Roseli Matias Gomes, 28 anos, mãe de um bebê de três meses. Há um ano ela também cumpre pena por tráfico. No presídio Ana Maria do Couto, são cinco meses. “Praticamente gerei minha filha dentro do presídio”, comentou. “Agora a gente tem um lugar para as crianças poderem ficar. A gente vai poder ‘puxar’ a cadeia mais sossegada”. O espaço já existia, mas de forma precária. Ele foi reformado para atender às exigências do Ministério Público Estadual (MPE) que, em março de 2007, notificou a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sejusp) pelas deficiências físicas no local. As obras começaram há dois anos. Neste período, as crianças ficavam com as mães, em celas individuais. De acordo com a diretora da unidade, Dinalva Oried Silva, no local há 223 detentas, 12 com crianças de zero a dois anos e cinco grávidas, cujos filhos, ao nascerem, também receberão atendimento no novo espaço. A maioria das presidiárias é do interior e 90% cumprem pena por tráfico de drogas. Para o secretário de Justiça e Segurança Pública, Diógenes Gomes Curado, a reforma do espaço é tão importante para a ressocialização das mães, que podem ficar perto de seus filhos, quanto para as crianças. “A intenção é que, apesar das grades, essas crianças, ao saírem daqui, não fiquem com a lembrança de um presídio, mas de um espaço alegre e prazeroso”, disse.

Edição EDIÇÃO 16962




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