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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 27 de Junho de 2009, 13h:00

PCC

Escritório na Capital

Facção criminosa, que teve um prejuízo de R$ 8 mi com apreensão de 400 quilos de cocaína, funcionava na Agropecuária São Jorge

ADILSON ROSA
Da Reportagem
A organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) tinha até escritório de representação em Cuiabá com nome e sobrenome. Ficava numa sala alugada na avenida Carmindo de Campos e atendia por Agropecuária São Jorge. O escritório funcionou de setembro do ano passado até o início de fevereiro. De uma hora para outra, os móveis e os quatro funcionários desapareceram, deixando para trás três meses de aluguel sem pagar – cerca de R$ 2,5 mil. Segundo a Gerência de Inteligência Policial (Gip) da Polícia Civil, o escritório era só de fachada. Servia apenas para dar uma aparência de legalidade ao arrendamento da fazenda Sete Irmãos, na localidade de “Mucambo”, em Barão de Melgaço (113 quilômetros ao sul da Capital), onde na semana passada a Polícia Civil apreendeu quase 400 quilos de cocaína pura. Pelas contas da Polícia Civil, o PCC movimentou mais de R$ 10 milhões. Somente com esta última apreensão, o prejuízo da organização criminosa foi de cerca de R$ 8 milhões. O PCC estaria usando a fazenda como pista de pouso e depósito de cocaína desde o segundo semestre do ano passado. As investigações apontam que a fazenda servia mesmo para descarregar e armazenar os carregamentos de cocaína que vinham da Bolívia de avião. Era usada como base de apoio na distribuição de drogas para outros estados, principalmente no Sudeste. O arrendamento mensal da propriedade saía por R$ 19 mil mensais. Conforme os policiais, o esquema do PCC em Mato Grosso é alugar fazendas na fronteira com a Bolívia para servirem de depósito de drogas. Uma vez na propriedade rural, a cocaína seguia de caminhão e outros veículos para outros estados. O planejamento é tão detalhado que integrantes do PCC se deslocaram até a Bolívia para negociar o carregamento de cocaína. Acertaram com os narcotraficantes que o entorpecente deveria ser trazido de avião, que pousaria na própria fazenda. Se não houvesse condição de aterrissagem, os sacos com a cocaína deveriam ser jogados. “Os quase 400 quilos de cocaína apreendidos chegaram no dia 19 de maio. Desde então, estamos à caça dos responsáveis pelo esquema. Descobrimos que a fazenda foi arrendada e, a partir daí, começamos a desarticular a quadrilha responsável em trazer, armazenar e distribuir a droga”, explicou o delegado Anderson Garcia, da GIP. Dois policiais civis estão envolvidos com o esquema. Vagner Rodrigo Amorim foi quem alugou a propriedade rural e Adauto Ramalho da Silva não tinha função específica – apenas fazia parte do esquema criminoso, segundo a polícia. Até agora, quatro pessoas foram presas e o total envolvido deverá chegar a 15. A polícia ainda não revelou quem é o principal chefe do PCC – chamado de “general” - em Mato Grosso, mas ele deverá ser preso em breve. Estaria ligado diretamente ao aluguel do escritório da Agropecuária São Jorge. Essa não é primeira fazenda alugada pelo PCC em Mato Grosso. Na região de Cáceres, uma fazenda foi comprada pela organização criminosa por R$ 250 mil, a cerca de dois quilômetros da fronteira com a Bolívia. O esquema foi descoberto em agosto do ano passado, após três integrantes do PCC se digladiarem pela disputada da área. ESCONDIDA - A fazenda Sete Irmãos está localizada numa região de difícil acesso em Barão de Melgaço. De Cuiabá até a sede, o percurso é feito de carro em cerca de 5 horas. Para se ter ideia da dificuldade em transitar pelo local, a polícia atolou cinco viaturas durante as investigações iniciadas no começo de maio.

Edição EDIÇÃO 16961




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