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CIDADES
Terça-feira, 16 de Setembro de 2008, 21h:11

NOVA ESPERANÇA I

Equipe do PSF diz que foi impedida de trabalhar

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Funcionários do Programa de Saúde da Família (PSF) do Parque Nova Esperança I, em Cuiabá, denunciam que estão sendo impedidos pela Associação de Moradores do bairro de trabalhar. Sentindo-se intimidada, a equipe procurou na manhã de ontem a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). “Hoje (ontem) ninguém pôde entrar. O presidente do bairro trancou a unidade com cadeado alegando que ele é quem deveria escolher a equipe que irá trabalhar”, disse um dos servidores, que por precaução, preferiu não se identificar. Reunida com o secretário de Saúde, Luiz Soares, a equipe contou que o presidente do bairro, Luiz Mário Farias Rodrigues, juntou cerca de 20 pessoas e foi para frente do PSF impedir o funcionamento da unidade. “Ele instigou as pessoas a invadirem o prédio”, afirmaram. Oficialmente a sede do PSF, que está sendo mobiliada, não foi entregue à comunidade. Mas, a equipe, especialmente os agentes de saúde, já anda pelo bairro explicando a função que desempenha e conhecendo as famílias com as quais vai trabalhar. Porém, assim com o serviço de vacinação que já é disponibilizado no local, as visitas foram suspensas. “Fomos ameaçados”, afirmou um agente que também preferiu não divulgar o nome. A equipe é composta por 25 profissionais, entre médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde, além de pessoal da área administrativa. O secretário de Saúde Luiz Soares afirmou que ficou surpreso com a atitude da Associação de Moradores. “Enquanto bairros inteiros aguardam e solicitam a implantação dos PSFs, no Nova Esperança I, o presidente faz uma manifestação como esta por questões puramente eleitorais”, disse. “Escolher a equipe do PSF não é papel de presidente de bairro, mas do gestor público que seleciona os melhores profissionais para oferecer serviço de qualidade”, acrescentou. Além de acionar judicialmente, Soares disse que iria formalizar um boletim de ocorrência contra o presidente do bairro. “Não vou permitir que fechem a unidade”, afirmou. Os PSFs atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes. Por telefone, o presidente do bairro, Luiz Mário Farias Rodrigues, negou todas as acusações. “Não tranquei a unidade e não impedi o trabalho da equipe. O que houve foi uma reunião no Centro Comunitário, que fica ao lado do PSF”, afirmou. Segundo Luiz Mário, a comunidade realmente cobra um acordo que teria sido feito há 60 dias com Soares. “O secretário ficou de realizar processo seletivo para escolha da equipe, apresentá-la e inaugurar a unidade”, disse. “Não inauguraram o PSF que ainda não tem nem ligação de água e não tem calçada. O que queremos é um PSF que funcione a altura e necessidade da nossa comunidade”, acrescentou. Luiz Mário também afirmou que as famílias estão preocupadas em receber os agentes de saúde por falta de identificação. “Eles não usam crachá”. Os moradores prometem realizar nova manifestação na manhã de hoje.

Edição EDIÇÃO 16967




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