Os resultados insatisfatórios de pesquisas de confiabilidade em órgãos públicos em âmbito nacional levaram desembargadores, juízes, representantes do Ministério Público Estadual (MPE) e advogados a se posicionar publicamente em defesa do Poder Judiciário de Mato Grosso ontem pela manhã, no Tribunal de Justiça, em Cuiabá. O mesmo evento, que visa aproximar o Poder Judiciário da população, ocorreu simultaneamente nas 79 comarcas de Mato Grosso. Em seu discurso, o presidente do TJ, desembargador Paulo Lessa, explicou que o Poder Judiciário não tem hábito, cultura e nem mesmo dotação orçamentária para investimentos em publicidade, mas que não pode manter-se indiferente à necessidade de ofertar à sociedade uma percepção diferenciada dos trabalhos lá realizados e, com isso, acabar com a distância entre a população e o Poder Judiciário que foi instalada com o decorrer dos anos. O presidente do TJ lembrou que a Justiça tem sido uma das instituições mais questionadas no Brasil nos últimos tempos e que nunca se falou tanto sobre a morosidade, ineficiência e a corrupção do Poder Judiciário. Lessa ponderou que considera que alguns questionamentos têm razão de ser e as críticas fundamentadas são bem-vindas na medida em que contribuem para a consolidação do Poder Judiciário. O que não podemos aceitar é a irresponsável e arbitrária generalização, na maioria das vezes feita sem elementar conhecimento dos procedimentos judiciais, de modo a poder avaliar corretamente a Justiça e suas contribuições ao aperfeiçoamento das instituições, argumentou. A secretária-geral da seccional de Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Luciana Serafim, citou que uma pesquisa divulgada recentemente apontou que o Poder Judiciário só ganha da Polícia Militar e políticas quando o assunto são instituições sem credibilidade com a população. Luciana disse que a OAB apóia o posicionamento público em defesa do Poder Público, mas lembrou que é preciso ainda acabar com a distância entre o Judiciário e a classe média que não consegue arcar com as altas taxas dos processos. Para explicar as altas taxas cobradas pelo Judiciário, Lessa disse serem os valores necessários para compensar os 75% dos processos que tramitam gratuitamente em Mato Grosso.