NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

CIDADES
Sexta-feira, 05 de Junho de 2009, 21h:32

CASO UEMURA

Empresário liberado

Júlio Uemura e mais 7 acusados no esquema ganharam as ruas logo após o fim da primeira audiência no processo

KEITY ROMA
Da Reportagem
Após passar 93 dias na prisão, o empresário Júlio Uemura e outros sete presos durante a Operação Gafanhoto obtiveram a liberdade anteontem, ao fim da primeira audiência judicial do caso. Os 28 denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE) serão interrogados amanhã pelo juiz da 15ª Vara Criminal de Cuiabá, José Arimatéia Neves da Costa. Entre eles está o comunicador e ex-deputado Walter Rabello. Uma testemunha de acusação e 15 de defesa prestaram depoimento ontem, o segundo dia da maratona da audiência para a qual estavam arroladas mais de 100 testemunhas e que deve ser encerrada até segunda-feira. A sessão, iniciada às 8 horas, foi encerrada às 17 horas. Os promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Sérgio Silva da Costa e Arnaldo Justino, afirmaram que nenhum dos depoimentos de defesa prestados abalou as provas da denúncia contra a suposta organização criminosa. Teriam se limitado a boas referências pessoais dos envolvidos. Já os relatos do produtor rural e empresário paulista Shigueu Hayata teriam reforçado a conduta criminosa dos acusados. Ele afirmou que o golpe supostamente aplicado pelo bando lhe rendeu um prejuízo de R$ 1 milhão, que quase levou sua empresa à falência. No ano de 2006, o empresário foi procurado pelo proprietário da empresa Sewal Hortifruti LTDA, que na denúncia do Gaeco é uma das sedes “laranjas”, criada pela quadrilha. Júlio Uemura teria dado boas referências da empresa para Shigueu, de quem era um cliente antigo. O denunciado Rene Oliveira teria se passado por proprietário da Sewal, usando um nome falso e finalizado a transação. “Nesse ramo muitas negociações são feitas na base da confiança. Como os cheques voltaram, e a Sewal não pagou, Shigueu veio duas vezes a Cuiabá negociar a dívida, que o Uemura disse que pagaria. Contudo, não pagou. Então, Shigueu e outros produtores descobriram que tinham sido vítimas de um golpe”, afirmou a advogada da vítima, Márcia Rodrigues. Ao fim do depoimento, Shigueu voltou para São Paulo, temendo ser vítima de atentados - conforme teria acontecido em março, quando um homem com capacete invadiu o hotel e subiu ao andar dele. Rene estava presente na audiência ontem e declarou ter apenas prestado serviços como corretor de cereais para três das empresas denunciadas como “laranjas”, sendo elas a Sewal, a Tradexco e a empresa Canadá. O advogado paulista que faz a defesa de Rene e que também figura na lista dos denunciados, Adelbar Castellaro Júnior, criticou as investigações do Gaeco. “O povo do Gaeco é incompetente”, disse ele sobre sua inclusão na lista dos réus. Adelbar é apontado na denúncia como intermediador de negociações forjadas com os credores. “O Rene é meu cliente há 20 anos. Por isso nos falamos muito ao telefone. Utilizaram conversações de outros processos para me incluir entre os denunciados”, defendeu-se Castellaro. A Operação Gafanhoto prendeu oito pessoas em 4 de março e denunciou 30 por formação de quadrilha (uma não virou ré e Eiko Uemura faleceu) para aplicar vultosos golpes em produtores rurais que deixavam de receber pelo produto vendido e possibilitariam o enriquecimento dos acusados.

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL