CIDADES
Terça-feira, 13 de Março de 2012, 21h:56
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ESTELIONATO
Empresa vendia agrotóxicos falsificados
Agricultores de Mato Grosso estavam sendo enganados ao comprar produtos altamente tóxicos pelo correio
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Sete pessoas foram presas durante a Operação Paracelsus, desencadeada pela Polícia Civil para desarticular um esquema de fabricação e venda de agrotóxicos com nota fiscal de vitamina especial. Foram cumpridos também sete mandados de busca e apreensão no município de Bady Bassitt, no interior do Estado de São Paulo, e na cidade de São José do Rio Preto, onde um vendedor já está preso. Pelo esquema, as vendas eram realizadas por telefone e os produtos despachados pelos Correios para compradores em todo o Brasil. O agrotóxico era enviado com notas fiscais de vitaminas especial, ao valor médio de R$ 2 mil, enquanto que o verdadeiro produto é comercializado por cerca de R$ 6 mil. O esquema foi descoberto após a Delegacia apreender mais de 100 litros do Regent WG800, em caixas com notas fiscais de vitaminas, na agência distribuidora dos Correios, em Várzea Grande. O produto fabricado com autorização pela empresa Basf, era falsificado em uma fábrica no município de Bady Bassitt, de onde era comercializado para todo o Brasil para uso em lavouras de soja. O delegado da Delegacia de Meio Ambiente de Cuiabá, Carlos Fernando Cunha, disse que a agência do Correios desconfiou de algumas caixas e do conteúdo dos frascos. O produto que a Basf vende com permissão é destinado às indústrias de álcool, pois é muito concentrado, e esse estava sendo vendido para lavouras, colocando em risco milhares de pessoas. É um produto tóxico e invisível, que vai se acumulando no organismo, afirmou. O herbicida é considerado altamente tóxico e contém o princípio ativo Fipronil, utilizado para controle de pragas na plantação de cana-de-açúcar. O produto falsificado contém uma dosagem menor do princípio ativo. Ele era vendido em embalagens reutilizadas do verdadeiro produto, com rótulo e lacres falsos. É um veneno fortíssimo, que não sabemos de onde vem. É isso que queremos descobrir, acrescentou o delegado. As ordens judiciais são cumpridas na fábrica da empresa Biofarm, de produção de produtos orgânicos, que supostamente fabrica a versão falsa do agrotóxico, no escritório da empresa e também no call center, de onde eram feitas os pedidos. Os investigados poderão responder por diversos crimes. Entre eles estelionato, por estarem enganando pessoas que compraram o produto de boa-fé; falsificação ou receptação ou contrabando, caso fique comprovado que o principio ativo seja roubado ou contrabandeado, transporte em desacordo com a legislação ambiental e formação de quadrilha.