CIDADES
Sábado, 22 de Dezembro de 2007, 13h:35
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CUIABÁ-ANO 40
Emenda das diretas para presidente
O cuiabano Dante de Oliveira ganhou repercussão nacional e se tornou um dos principais líderes políticos de Mato Grosso em todos os tempos
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
A luta pela aprovação da emenda do deputado cuiabano Dante de Oliveira (PMDB), que pedia o restabelecimento da eleição direta para presidente ganhou uma trincheira editorial no DIÁRIO, que foi um dos poucos jornais a empunhar a bandeira que tanto desconforto causava aos donos do poder. O Dr. Ulysses Guimarães reconheceu a linha editorial do jornal e a enalteceu na tribuna da Câmara Federal. A emenda de autoria de Dante de Oliveira foi à votação na Câmara em 24 de abril de 1984. Obteve 298 sim, recebeu 65 não e três deputados se abstiveram. O resultado não garantiu sua aprovação porque faltaram 22 votos. A participação da bancada federal mato-grossense nessa luta que mobilizou o Brasil e que encheu ruas com milhões de cidadãos, se dividiu em duas fases deixando clara a existência de correntes de pensamentos bem distintas no estado. Na primeira fase, quando da apresentação do requerimento para tramitação, a mesma recebeu assinaturas do autor, Dante; dos deputados Márcio Lacerda e Milton Figueiredo (ambos do PMDB); e do senador Gastão Müller (PMDB). Não foram signatários do documento os deputados Gilson de Barros (PMDB), Bento Porto, Ladislau Cristino Cortês (Lalau), Jonas Pinheiro e Maçao Tadano (todos do PDS); e os senadores do PDS, Roberto Campos e Benedito Canellas. Quando da segunda fase ou votação na Câmara, a bancada do PMDB formada por Dante, Márcio Lacerda, Milton Figueiredo e Gilson de Barros fechou questão pela aprovação; Maçao Tadano votou contra; e Jonas, Lalau e Bento Porto não participaram da sessão, o que significou a mesma coisa que voto contrário. Deputado estadual, prefeito de Cuiabá em dois mandatos, deputado federal, ministro da Reforma Agrária e do Desenvolvimento Agrário no governo José Sarney e primeiro governador reeleito, Dante foi uma das figuras públicas mais influentes de Mato Grosso. Cuiabano, Dante construiu sua carreira política na cidade onde nasceu e morreu, em 6 de julho de 2006, vítima de infecção generalizada provocada por pneumonia agravada com agudo quadro de diabetes. CAMPOS Dante se consagrou nas praças públicas. Porém, outro mato-grossense: Roberto Campos, ganhou dimensão política numa articulação de bastidores que teve todas as impressões digitais do mago do regime militar, o general Golbery do Couto e Silva. Embaixador, pensador, mestre da economia e ex-ministro de Castelo Branco, Roberto Campos era conhecido pela pecha de Bob Field uma versão inglesa não muito convencional de seu nome quando foi lançado candidato ao Senado pelo PDS de Mato Grosso, em 1982. Golbery era raposa e contrário à chamada linha dura do governo. Em 1978, portanto antes de ungir o embaixador para o Senado, costurou com o general Dilermando Monteiro tio de Frederico Campos sua nomeação para o governo biônico de Mato Grosso. Hábil jogador com as peças do baralho político, Golbery sabia que com o sobrinho do colega no poder, teria Dilermando como forte aliado. E quanto ao embaixador não havia resistência da linha dura e ele ainda gozava de prestígio internacional. Roberto Campos foi eleito e abriu portas a grandes financiamentos internacionais que permitiriam a modernização do estado nos setores de transportes e energia. A memória de Dante é perpetuada com seu nome batizando próprios do estado, dentre eles a sede da Assembléia Legislativa. O nome de Roberto Campos foi banido pelos governantes.