CIDADES
Quinta-feira, 17 de Março de 2011, 21h:21
A
A
IBAMA
Embargo impede colheita em Querência
DHIEGO MAIA
Da Reportagem
Trabalhadores do assentamento rural Pingo DÁgua, em Querência, a 945 quilômetros de Cuiabá, estão endividados, mas impedidos de comercializar arroz, milho, leite, soja e outros itens, que estão prestes a perder, muitos ainda no pé, por falta de colheita. No local, existem famílias que contraíram dívidas de mais de R$ 150 mil. Ao todo, o assentamento conta com 549 famílias distribuídas em uma área de 23 mil hectares. Cada propriedade tem 65 hectares. Ocorre que o assentamento está embargado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desde 2006, por não ter licenciamento ambiental. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Querência, Eleandro Mariani Ribeiro, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na época, foi notificado do embargo, mas não comunicou a ação aos trabalhadores. Ao longo de todo esse período, os trabalhadores conseguiram efetuar empréstimos em instituições financeiras e vender a produção normalmente. A situação se agravou porque o Ibama, em nova fiscalização, embargou os produtores individualmente. O Incra nunca nos comunicou sobre os embargos, mas em todo esse período nos deu carta de anuência para conseguirmos crédito para compra de sementes, adubos, para garantir a colheita da safra. Agora, muitos estão cheio de dívidas, mas proibidos de colher, explica Ribeiro. Plantações oriundas de áreas embargadas não são certificadas com o selo verde e ficam impedidas de vender no mercado legal. O site do Ibama também dá publicidade sobre as áreas que estão sem licença ambiental. Ontem à tarde, um grupo de trabalhadores de Querência esteve na sede do Ministério Público Federal na tentativa de suspender o embargo ao menos para colher a produção e até regularizar a situação do assentamento. A superintendente em exercício do Ibama, Cibele Ribeiro, disse que desde 2006, o Instituto mantém fiscalizações no assentamento e, que neste ano, passou a identificar cada propriedade individualmente. Nós sabemos que muitos descumprem os embargos, mas tentamos fazer valer a permanência do embargo, atesta a superintendente. Segundo ela, a solução aos trabalhadores seria firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ibama em Brasília. A colheita seria supervisionada e o valor, depositado em juízo. O impasse seria discutido na Justiça. O Incra, por meio de assessoria, reconheceu o problema, mas não soube explicar por que os assentados não foram comunicados do embargo.