CIDADES
Quinta-feira, 03 de Fevereiro de 2011, 21h:39
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Em VG, ao menos dez bairros são prejudicados
Pelo menos dez bairros em Várzea Grande sofreram com os efeitos da chuva que caiu sobre a Grande Cuiabá a partir da madrugada de ontem. Devido à precipitação de metade do volume de água que deveria chover no mês, casas foram alagadas em até 1,5 metro e famílias em áreas de risco estão sendo orientadas a se incluir no programa federal de habitação Minha Casa, Minha Vida. Mais de mil se cadastraram e moradores apontam que não foi só o excesso de água a causa dos prejuízos. O volume de chuva atingido foi de 110,1 milímetros. Em apenas sete horas, caiu água equivalente à metade do esperado para chover em fevereiro. A prefeitura anunciou pontos de alagamentos nos bairros Lagoa do Jacaré, Vila Vitória II, Jardim dos Estados, Jardim Paula I e II, São Simão, Monte Castelo, Figueirinha, Sol Nascente, Jardim União e Vinte e Quatro de Dezembro, mas também há relatos nos bairros Maringá I, Oito de Março, Alameda e Jardim dos Estados. O coordenador da Defesa Civil no município, Rodrigo Alonso Lemes, enfatizou que os casos foram provocados pela anormalidade do volume de água. Embora também afirme que a prefeitura tem realizado a desobstrução dos córregos, a limpeza das margens e que passará a substituir as manilhas das pistas por pontes, moradores culpam exatamente a falta de atenção da prefeitura com os cursos dágua. Essa é a explicação para moradores que perderam quase tudo ao longo do córrego Traíra, como a comerciante Reny Alves de Jesus, 27 anos. Sua casa, no Jardim Paula I, está localizada bem ao lado do córrego. Ela reclama que a prefeitura apenas retira o matagal periodicamente nas margens, deixando de desassorear o leito a fim de que a vazão da água tenha espaço para fluir. Em alta pressão, ela arrebentou o muro construído justamente para se prevenir dos alagamentos constantes. Toda vez que começa a pingar, começa esse desespero, desabafa, rodo em punho, na cozinha. De um lado, a geladeira aberta mostra que a lama só não escureceu o arroz do dia anterior porque a panela boiou lá dentro. Do outro, infiltrações aparecem na parede perto das rachaduras e Reny tenta acalmar a filha de cinco anos, que fica choramingando por ficar presa na sala, a parte seca da casa. De madrugada, quando percebeu que a chuva estava forte, a família saiu de casa. Voltaram às 7h para começar a tirar a lama, usando a água da caixa dágua ontem não havia abastecimento. Cadastrada no programa federal Minha Casa, Minha Vida, Reny diz que, da próxima vez que for para sair de casa vai ser para valer. Mas o duro é você sair daquilo que é seu, né?. A falta de cuidado em relação aos córregos, que encheram demais devido à chuva, também prejudicou os negócios do piscicultor Claido Celestino, 59, o Ferrinho, que desde a década de 70 mantém três represas de tambacú e pacu ao lado de casa, no bairro São Simão. Ferrinho conta que, quando a avenida Frei Coimbra foi asfaltada ao lado de sua propriedade, previu que a passagem para o córrego do Piçarrão era insuficiente para a vazão de água. Logo, providenciou um muro para proteger suas represas e avisou a prefeitura, mas sem providências. De manhã, a água do córrego alagou a pista e estourou os muros das represas. À tarde, uma multidão do bairro jogava redes e tarrafas para pescar os R$ 45 mil em peixes de tanque que Ferrinho venderia na Quaresma. Até o carro teve o motor afogado. Perdi tudo. Só não rasguei o asfalto ali porque não tinha ferramenta.