NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

CIDADES
Quinta-feira, 03 de Fevereiro de 2011, 21h:39

Em VG, ao menos dez bairros são prejudicados

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Pelo menos dez bairros em Várzea Grande sofreram com os efeitos da chuva que caiu sobre a Grande Cuiabá a partir da madrugada de ontem. Devido à precipitação de metade do volume de água que deveria chover no mês, casas foram alagadas em até 1,5 metro e famílias em áreas de risco estão sendo orientadas a se incluir no programa federal de habitação Minha Casa, Minha Vida. Mais de mil se cadastraram e moradores apontam que não foi só o excesso de água a causa dos prejuízos. O volume de chuva atingido foi de 110,1 milímetros. Em apenas sete horas, caiu água equivalente à metade do esperado para chover em fevereiro. A prefeitura anunciou pontos de alagamentos nos bairros Lagoa do Jacaré, Vila Vitória II, Jardim dos Estados, Jardim Paula I e II, São Simão, Monte Castelo, Figueirinha, Sol Nascente, Jardim União e Vinte e Quatro de Dezembro, mas também há relatos nos bairros Maringá I, Oito de Março, Alameda e Jardim dos Estados. O coordenador da Defesa Civil no município, Rodrigo Alonso Lemes, enfatizou que os casos foram provocados pela anormalidade do volume de água. Embora também afirme que a prefeitura tem realizado a desobstrução dos córregos, a limpeza das margens e que passará a substituir as manilhas das pistas por pontes, moradores culpam exatamente a falta de atenção da prefeitura com os cursos d’água. Essa é a explicação para moradores que perderam quase tudo ao longo do córrego Traíra, como a comerciante Reny Alves de Jesus, 27 anos. Sua casa, no Jardim Paula I, está localizada bem ao lado do córrego. Ela reclama que a prefeitura apenas retira o matagal periodicamente nas margens, deixando de desassorear o leito a fim de que a vazão da água tenha espaço para fluir. Em alta pressão, ela arrebentou o muro construído justamente para se prevenir dos alagamentos constantes. “Toda vez que começa a pingar, começa esse desespero”, desabafa, rodo em punho, na cozinha. De um lado, a geladeira aberta mostra que a lama só não escureceu o arroz do dia anterior porque a panela boiou lá dentro. Do outro, infiltrações aparecem na parede perto das rachaduras e Reny tenta acalmar a filha de cinco anos, que fica choramingando por ficar “presa” na sala, a parte seca da casa. De madrugada, quando percebeu que a chuva estava forte, a família saiu de casa. Voltaram às 7h para começar a tirar a lama, usando a água da caixa d’água – ontem não havia abastecimento. Cadastrada no programa federal Minha Casa, Minha Vida, Reny diz que, da próxima vez que for para sair de casa vai ser para valer. “Mas o duro é você sair daquilo que é seu, né?”. A falta de cuidado em relação aos córregos, que encheram demais devido à chuva, também prejudicou os negócios do piscicultor Claido Celestino, 59, o “Ferrinho”, que desde a década de 70 mantém três represas de tambacú e pacu ao lado de casa, no bairro São Simão. Ferrinho conta que, quando a avenida Frei Coimbra foi asfaltada ao lado de sua propriedade, previu que a passagem para o córrego do Piçarrão era insuficiente para a vazão de água. Logo, providenciou um muro para proteger suas represas e avisou a prefeitura, mas sem providências. De manhã, a água do córrego alagou a pista e estourou os muros das represas. À tarde, uma multidão do bairro jogava redes e tarrafas para pescar os R$ 45 mil em peixes de tanque que Ferrinho venderia na Quaresma. Até o carro teve o motor “afogado”. “Perdi tudo. Só não ‘rasguei’ o asfalto ali porque não tinha ferramenta”.

Edição EDIÇÃO 16961




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL