CIDADES
Sábado, 19 de Janeiro de 2013, 13h:07
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TRABALHO ESCRAVO
Educação diminui reincidência na família
Em Mato Grosso, os resgatados são encaminhados para cursos profissionalizantes e voltam para os bancos de escola
ALECY ALVES
Da Reportagem
As ações de combate e punição, somadas às iniciativas de prevenção, defesa de direitos e capacitação de trabalhadores desenvolvidas em Mato Grosso estão mostrando ao país que o estado não admite a manutenção da prática do trabalho escravo. E, principalmente, que para se manter como líder na produção de grãos, com o maior rebanho bovino e um mercado imobiliário em expansão permanente, não é necessário escravizar operários. Fazer entender ainda que a escravidão é crime sujeito a prisão, multas e indenizações. Entre as ações que chamam a atenção está o projeto Ação Integrada, idealizado por órgãos como a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego(SRTE-MT), Ministério Público do Trabalho(MPT) e a Universidade Federal(UFMT). Criado em 2009, esse projeto tem como objetivo principal a capacitação de trabalhadores egressos do trabalho escravo e a reinserção deles no mercado de trabalho em condições dignas, explica o subcoordenador Pablo de Oliveira. Há pouco mais de três anos em execução, a Ação Integrada ofereceu 24 cursos (pedreiro, pintor, armador de ferragem, mecânico e outros), e formou 435 egressos abordados em 60 municípios mato-grossenses, nos quais ou próximos daqueles foram registradas ocorrências de trabalho degradante. Oliveira explica que as capacitações são para trabalhadores que saíram da condição de escravo e seus familiares (pai, irmão, primo), avaliados como vulneráveis à escravidão. Essa abrangência vem do entendimento de assim se combate a reincidência e previne para que outros não sejam vítimas. Além de formá-los em outras profissões, ou em funções semelhantes àqueles que exerciam, esse projeto busca vagas no mercado para assegurar que vão laborar em condições dignas. O Sistema Nacional de Emprego (Sine) é um dos parceiros nessa etapa. No resgate da cidadania, também está inclusa a educação formal. Os analfabetos têm a oportunidade de aprender a ler e escrever, e ainda são estimulados a prosseguir nos estudos. Em setembro do ano passado, as experiências mato-grossenses foram apresentadas em um seminário Rio de Janeiro. Na ocasião, o superintendente regional do Trabalho, Valdiney Arruda, disse que aqui o trabalho escravo continua existindo e sendo combatido como crime, mas agora com um olhar sobre o que leva as vítimas à escravidão. Arruda considera a qualificação e inserção no trabalho iniciativas primordiais porque fazem com que o trabalhador não se sujeite ao trabalho escravo. As ações mostradas foram consideras fortes e criativas pela superintendente de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos do Rio, Graziella Rocha. Naquele estado, o trabalho escravo rural aparece mais no cultivo de cana-de-açúcar e café.