CIDADES
Sexta-feira, 29 de Junho de 2007, 20h:28
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SÃO PEDRO
Duas toneladas e meia de pacu em Bonsucesso
Festa em comemoração ao santo protetor dos pescadores reuniria até sete mil pessoas na comunidade várzea-grandense para tradicional peixada
Uma festa que começou dentro da casa de Elenil Maria da Silva, há 26 anos, hoje atrai milhares de pessoas para o distrito de Bonsucesso, a cerca de 15 quilômetros de Várzea Grande. A tradicional festa em homenagem ao santo protetor dos pescadores, São Pedro, realizada ontem na localidade, tornou-se a mais popular da região. Os organizadores do evento esperavam para este ano um público de até sete mil pessoas. Festeiros e moradores de várias cidades mato-grossenses fazem questão de comparecer e manter viva a tradição. Para quem vai prestigiar, a diversão começa pela manhã e muitas vezes acaba só no dia seguinte. A comida é o ponto forte da festa. Como não poderia deixar de ser, o peixe frito é o prato principal. A equipe de 50 pessoas que ficou responsável pela cozinha preparou 2,5 toneladas de pacu, que precisaram de 200 quilos de tempero. A festa começa com a missa na capela da cidade. Em seguida, os festeiros realizam a procissão terrestre com a imagem de São Pedro. Depois, o percurso é realizado pelo rio Cuiabá. Várias canoas seguem juntas até o local da festa, onde desembarcam e o santo permanece durante a celebração. São Pedro era pescador profissional antes de se tornar apóstolo, explica o padre Clorálio Caimi. Essa festa é a maior felicidade da minha vida, exclama dona Elenil, de 64 anos. Casada com o pescador Benedito Santana da Silva, ela se orgulha de ser uma das idealizadoras do evento. A primeira peixada aconteceu lá em casa, para comemorar o dia de São Pedro. Foram umas 50 pessoas e a casa ficou cheia. No ano seguinte, ganhei uma imagem e a festa teve de ir pra outro lugar maior. Aí, começaram a ser realizadas as missas e hoje é tradicional, relata orgulhosa. Ao longo dos anos, a tradição se manteve, mas algumas coisas tiveram de mudar. O peixe e o chopp foram servidos gratuitamente nos primeiros 15 anos do evento, mas hoje precisam ser cobrados. O valor simbólico de R$ 2 pelo prato é arrecadado para custear o peixe que hoje precisa ser comprado. Antes, o peixe era todo do rio, mas de uns cinco anos para cá, não dá mais. Diminuiu muito o número deles no rio Cuiabá, conta o pescador Nelson Onorato de Magalhães, de 59 anos. Ele afirma que, nesses 26 anos, quase nada mudou. Para garantir a realização da festa, ele e os demais envolvidos começaram trabalhar na segunda-feira. A gente começou limpando os peixes, diz Magalhães. Na quinta-feira, terminaram e estocaram o produto em um freezer. Depois, retomaram as atividades à noite, quando a comida já começou a ser preparada para o dia seguinte. Engana-se quem pensa que quem vai para trabalhar não se diverte. Daqui a pouco eu saio só no rebuça e tchuça nesse salão. Se Deus quiser, até o dia amanhecer, fala ele. A música regional também chama a atenção na festa. Seis bandas e grupos de siriri realizariam apresentações durante a tarde e a noite. O segurança Norberto de Proença, que mora em Cuiabá, vai todo ano prestigiar o evento com a esposa. A festa é excelente. O povo é hospitaleiro e a comida e a dança, muito boas, afirma. A comunidade de Bonsucesso é conhecida pela quantidade de pescadores que vivem na região. O peixe é o prato típico local, por isso, várias peixarias estão instaladas no entorno do rio. A população do distrito é de 2.757 habitantes e a localidade existe há mais tempo que a cidade a qual pertence, segundo a coordenação de Cultura de Várzea Grande.