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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 22 de Março de 2008, 14h:05

NAUFRÁGIO

Dono do barco diz que se responsabilizará

Semi Said responderá sozinho pela tragédia, caso ele e o condutor que pilotava a chalana na hora do acidente, José Gonçalo, sejam apontados como causadores

KEITY ROMA
Da Reportagem
O proprietário da chalana Semi Tô a Tôa que naufragou no Pantanal, Semi Mohamed Said, de 57 anos, disse que tomará para si as responsabilidades sobre o acidente com a embarcação, caso ele e o funcionário que conduzia o barco, José Gonçalo, 23 anos, sejam apontados como responsáveis pela tragédia após as investigações. O delegado de Poconé, Valter Cardoso, cogitou a hipótese de ambos responderem por homicídio culposo, por imprudência e negligência. “Eu sempre conduzia o barco, mas nessa viagem, não pude ir. O Gonçalo conduz melhor do que eu, apesar de ser mais novo. Há muito tempo ele vive nessa região e lida com isso. Se para mim, que tenho 57 anos, é difícil lidar com essa situação, para ele, é muito pior. Ele está arrasado, não sei nem o que fazer para ajudar. É muito difícil enfrentar essa situação, é a pior fatalidade das nossas vidas”, disse. Os dois participaram nos cinco dias dos trabalhos de resgate, para contribuir com a Marinha e com o Corpo de Bombeiros no local do acidente. Semi afirmou que se sente desamparado. “No dia em que estávamos trabalhando, a Marinha afirmou que me ajudaria a retirar a embarcação. Até agora ninguém nos procurou para falar nada, só estamos sendo criticados e apontados como culpados”, falou ele. A Marinha afirmou que notificaria Semi para que retirasse a embarcação do local no prazo de 90 dias, sob pena de perder o direito sobre o barco-hotel. Semi disse que não recebeu nenhum ofício com a determinação ainda e declarou que não tem condições financeiras para fazer a remoção, mas que não gostaria de perder a chalana. “Desde ano passado venho passando por problemas financeiros muito complicados. Tudo o que eu tinha para sustentar a minha família era o barco, que também estava penhorado. Adquiri a embarcação por R$ 25 mil. Ela estava desativada e eu investi R$ 500 mil para reformá-la”. Semi informou que precisa conversar com a Marinha para resolver o impasse. Ele pensa em reformar o barco futuramente, caso consiga retirá-lo do rio Cuiabá. Como o nível do rio abaixa no período de seca, a embarcação terá de ser retirada dali para não oferecer risco a outros navegantes que porventura passem pelo trecho. A Marinha disse que estudará várias possibilidades antes de remover a chalana, como por exemplo, a realização de um processo licitatório. As causas do acidente que deixou nove vítimas ainda estão sendo apuradas pela Marinha e a Polícia Civil.

Edição EDIÇÃO 16962




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