CIDADES
Sábado, 05 de Dezembro de 2009, 00h:26
A
A
MALA PRETA
Dois articuladores presos
Homens que agiam no esquema de fraude do Fisco a mando de empresários do setor de grãos se aproveitavam de laranjas
STEFFANIE SCHMIDT
Da Reportagem
Dois presos na Operação Mala Preta, deflagrada na quinta-feira, são apontados como os articuladores do esquema de laranjas utilizado por compradores de produtos agrícolas para fraudar o Fisco estadual. Eles atuavam a mando de empresários do setor de comercialização de grãos, segundo revelou uma fonte do Diário. William Dias Ribeiro e Rodinei Gonçalves Bravo tinham a função de coordenar o esquema de fraude, que se aproveitava de empresas laranjas, com benefícios fiscais, para emitir notas para grandes produtores de grãos, sujeitos ao pagamento de imposto integral. Dos 27 presos na operação, nenhum é empresário do setor agrícola. Entre os detidos estão apenas intermediários, os chamados testas-de-ferro, e dois funcionários da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz). Um dos servidores é o aposentado Pedro Rodrigues Lima, 77, que também é ex-deputado estadual. Ele foi candidato a prefeito em Alto Araguainha no ano passado. Pedro era conhecido pelos servidores por ser atuante na defesa dos direitos salariais encampada pela Associação dos Funcionários da Fazenda do Estado de Mato Grosso (Affemat). O outro servidor preso é Edson Garcia de Siqueira. De acordo com seu advogado de defesa, Giulleverson Silva Quinteiro de Almeida, ele está detido na Polinter e deverá ser ouvido hoje. Uma verdadeira força-tarefa foi montada na Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra Administração Pública para conseguir ouvir todos os detidos antes do vencimento da prisão temporária, na segunda-feira. Pelo menos duas salas foram ocupadas somente com o material apreendido pela polícia. Entre eles estão 63 CPUs, 24 pen drivers, 21 notebooks e R$ 122 mil. Entretanto, a maior parte do material é composta por papéis, inclusive do interior do Estado. Na quinta-feira, o secretário estadual de Fazenda, Éder Moraes, afirmou que várias notas fiscais eletrônicas foram canceladas. Caso os suspeitos não comprovem a legalidade, ela receberá tarifa cheia, sem benefícios fiscais, afirmou. A delegada responsável pelo caso, Lusia de Fátima Machado, afirmou que os 31 mandados de prisão autorizados pela Justiça passaram por uma seleção, para que a operação pudesse ser concretizada com sucesso. Se fossemos prender todo mundo, seriam mais de 100 pessoas, disse. Ela não descartou a possibilidade do surgimento de novos indiciados, inclusive de produtores rurais. Na quinta-feira, dia da operação, as oitivas foram realizadas até quase meia-noite. Ontem, o procedimento foi o mesmo. São documentações complexas e somente os delegados que estão a par podem fazer os interrogatórios, afirmou a delegada em entrevista coletiva na quinta-feira. Quatro pessoas ainda estão foragidas. Welson Antonio Carneiro é apontado pela polícia como um dos cabeças do esquema, junto com seu filho, Welton Antonio Carneiro Junior. Ambos foram presos em Rondonópolis.