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CIDADES
Segunda-feira, 28 de Julho de 2014, 20h:47

SANTA CASA

Dívida passa de R$ 25 mi

Com 197 anos e referência em cirurgias no Estado, o Hospital Santa Casa de Misericórdia, de Cuiabá, anuncia nova campanha para sobreviver

GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
Referência em cirurgias no Estado, o Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Cuiabá, acumula mais de R$ 25 milhões em dívidas e culpa a defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). Para tentar sobreviver a administração da unidade realiza campanha para arrecadar fundos. Com 197 anos, a Santa Casa é um dos hospitais mais tradicionais do Estado. O hospital realiza mais de 7,5 mil cirurgias por ano, sendo que 90% do atendimento vêm através do SUS. A Santa Casa também é o único hospital do Estado que possuí Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) para crianças, bebês e adultos. De acordo com a assessoria da unidade, apesar da maioria do atendimento vir pelo SUS, a unidade não tem o retorno adequado já que a tabela de repasses do Governo se encontra desatualizada há vários anos. Conforme a assessoria, o repasse do Governo é de apenas R$ 2,5 milhões por mês. A assessoria informou que há vários anos a unidade tem tido dificuldade para manter os profissionais. Como os repasses são muito baixos, os profissionais mais novos não aceitam as condições. Os funcionários continuam no local somente por amor aos pacientes e o comprometimento ao trabalho. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Gabriel Felsky, a defasagem da tabela do SUS é um problema muito grave. Ele afirmou que há mais de 10 anos o governo não atualiza os dados e por conta disso, os procedimentos se tornam praticamente inviáveis. “O Hospital se compromete a realizar o trabalho, porém o que recebe não consegue cobrir o que gastou no procedimento”. Para fins de comparação, enquanto a tabela do SUS paga R$ 25 por uma anestesia a tabela da Associação Médica Brasileira (AMB) sugere que o mesmo procedimento custe R$ 250. Ou seja, 10 vezes o valor oferecido pelo governo. Conforme Felsky, Mato Grosso e Cuiabá tem uma defasagem de leitos e não tem nenhum hospital que seja somente SUS. Caso, a Santa Casa deixasse de atender pelo governo, a já crítica situação da Saúde no Estado iria piorar muito. “Temos falta de leitos em quase todos os lugares, tanto no sistema particular quanto no público. No Pronto Socorro de Cuiabá tivemos denúncias recentes de pacientes alojados no chão. Precisamos aumentar e não diminuir”. Para tentar amenizar a crise, a Santa Casa vai lançar no próximo dia 2 de Setembro uma campanha para arrecadar fundos. Segundo a diretoria da unidade, esta a única maneira que a entidade filantrópica encontrou para continuar funcionando sem prejudicar o publico.

Edição EDIÇÃO 16962




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