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CIDADES
Segunda-feira, 01 de Setembro de 2008, 20h:48

INTERNAÇÃO

Discriminação em hospital

Portadora de deficiência conta que foi impedida de assistir o pai doente por ter limitações físicas

DANA CAMPOS
Da Reportagem
Uma portadora de deficiência física denunciou que foi impedida de ser acompanhante de seu pai em um hospital de Cuiabá, em virtude de sua limitação motora. A denúncia é da professora e secretária da Associação Mato-grossense de Deficientes (Amde), Joseneide Miranda de Freitas, de 36 anos. O episódio, conforme contou a professora, aconteceu no Hospital Santa Helena, onde seu pai, José de Freitas, de 74 anos, estava internado. Ele deu entrada na unidade por volta das 10 horas de sábado. “Desde então, fiquei com ele até a minha irmã chegar, às 18 horas. Foi aí que ela me disse que eu não poderia ficar mais com ele (pai)”, explicou. Segundo Joseneide, sua irmã, Eudinéia Miranda de Freitas, foi informada por uma enfermeira que acabara de entrar no turno de que ela não poderia acompanhar o pai por ser deficiente e que a determinação era proveniente da “administração interna do hospital”. Após o episódio, conforme Joseneide, um outro funcionário do hospital teria dito à irmã dela que não poderia ficar na unidade pelo fato de estar gestante. “Porém, eu senti que não era bem por isso, mas, sim, porque sou deficiente”, reiterou a professora. Entretanto, ela afirmou que desde o início do tratamento do pai, há 12 anos, é ela quem sempre o acompanha, e que já o resguardou outras vezes em que esteve internado no mesmo hospital. Conforme o presidente do Hospital Santa Helena, o médico Marcelo Sandrin, responsável pelo tratamento de José de Freitas, a situação “é uma completa inverdade”. Disse que a denúncia que a família Freitas fez é “totalmente infundada”. De acordo com o médico, o hospital trata 100% de portadores de algum tipo de deficiência – renal, cardíaca, pulmonar, etc., e que o Santa Helena não tem como política interna privar qualquer tipo de acompanhamento dos pacientes. “Tanto é que ontem (domingo) tinham três deficientes auditivos acompanhando pacientes internados no hospital”, disse. De acordo com Sandrin, a diretora-administrativa da unidade chegou a ouvir a família, na tentativa de explicar que toda aquela situação não passava de um mal-entendido. “A nossa funcionária foi até lá, se desculpou em nome do hospital, mas a irmã dela (Eudinéia) estava muito alterada”, relatou. A administração do hospital informou que abriu, no mesmo dia, uma sindicância para apurar o fato. Conforme Sandrini, participaram do processo administrativo a enfermeira do setor, a enfermeira chefe de plantão, a assistente social de plantão e a diretora administrativa. Segundo o presidente, não foi comprovada a veracidade dos fatos. O médico ainda destacou que quem fez a denúncia, neste caso a Eudinéia, terá que comprovar a existência da norma relatada por ela. “Ela inferiu que isso era verdade. Que norma é essa?”, questionou Sandrin. Para o promotor de Defesa da Cidadania de Cuiabá, Alexandre Guedes, “a pessoa ser deficiente não implica que ela seja incapaz. Neste caso, caberia ao hospital investigar a capacidade da portadora em acompanhar o paciente”.

Edição EDIÇÃO 16961




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