CIDADES
Quarta-feira, 04 de Maio de 2011, 21h:26
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INVESTIGAÇÃO
Diretor afastado do PSMC diz que havia denunciado
Jair Marra alega ter procurado MPE em abril para prestar queixa
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
O diretor-geral do Hospital e Pronto-Socorro de Cuiabá, Jair Gimenez Marra, afastado do cargo por suspeita de ter sido conivente com o suposto esquema de venda de lugar na fila da espera para cirurgias ortopédicas da unidade, negou ter conhecimento dos crimes. Porém, disse que informou caso semelhante ao Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em abril. O Ministério Público do Estado denunciou esta semana dois médicos, três técnicos em ortopedia e um instrumentador cirúrgico por estarem envolvidos na prática e afirma que a Direção Geral do Pronto-Socorro nada fez para impedir a ação dos profissionais. Se eu tivesse conhecimento do esquema, teria abortado essa ação. Havia rumores sim, mas nunca confirmados. E outra coisa, não teria porque eu ser conivente, não havia benefício nenhum pra mim, disse Marra. No entanto, mesmo negando que soubesse de algo, o diretor citou um caso de um funcionário que estaria tentando cobrar propina dos pacientes em troca de maior rapidez para a realização de procedimentos cirúrgicos. Nós informamos ao Gaeco em abril que havia a suspeita de que um servidor estava aliciando pacientes para tentar negociar valores de cirurgias, informou. No entanto, não consta o nome do funcionário na denúncia do MPE. A gerente de Internação, Transferência e Alta, Mariana Penha Rosa, também foi afastada do cargo sob a suspeita de ter feito vistas grossas quanto à alteração da ordem dos pacientes na fila de espera por cirurgia. O afastamento, no entanto é considerado injusto por Marra. Alguém tem que ser culpado. Se ela é suspeita, vai ser investigada. Mas o fato é que a responsabilidade pelo controle da fila da cirurgia ortopédica não é dela. Conforme o diretor, o setor responsável é o de Gerência de Ortopedia do Pronto-Socorro, cujo gerente é o médico Marcos Gabriel. A reportagem tentou contato com ele via assessoria de imprensa da Saúde, mas sem sucesso. A superlotação do Pronto-Socorro e os baixos valores pagos pela tabela do SUS não justificam os crimes, mas facilitam os desvios dos médicos, na opinião do diretor afastado. De acordo com Marra, até setembro do ano passado, os médicos do PS realizavam média mensal de 70 cirurgias ortopédicas. De outubro a março, o numero subiu para média de 150 procedimentos ao mês. Desde ontem, o PSMC está sob o comando de uma comissão composta pelo secretário-adjunto da Secretaria de Saúde, Euze Carvalho, o secretário de Governo Lamartine Godoy, o médico Huark Correia e a ouvidora municipal do SUS Adriana Venturoso. Uma sindicância junto à Corregedoria da Procuradoria Geral do Município foi instaurada para apurar as denúncias. A reportagem também tentou contato com o secretário de Saúde, Antônio Pires Barbosa, para comentar as informações repassadas pelo diretor afastado, mas a assessoria informou que estava em reunião.