CIDADES
Sábado, 14 de Março de 2009, 14h:15
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MATA GRANDE
Detentos se unem e contam suas histórias em livro
THAÍSA ELIS
Da Sucursal de Rondonópolis
Cerca de 50 reeducandos da Penitenciária Major Eldo Sá Correia, a Mata Grande, em breve serão reconhecidos não pelos crimes que cometeram, mas pelas histórias de suas vidas, infância, família e sentimentos. Os relatos serão reunidos em um livro, que será lançado como iniciativa de ressocialização. Os textos contidos na obra foram escritos pelos próprios reeducandos. O livro tem como título Escrevendo sou livre, porque faz uma alusão à liberdade de pensamentos e imaginação dos detentos. A iniciativa surgiu da direção da penitenciária e dos professores da escola que funciona dentro da Mata Grande. De acordo com a coordenadora de Ensino e Formação da escola, Creuza Rosa Ribeiro, o projeto de incentivo à criação do livro surgiu em 2007, quando em uma limpeza de gavetas, as professoras encontraram alguns textos escritos pelos próprios reeducandos e que eram muito ricos em histórias que retratavam suas vidas. De acordo com Creuza, os professores chegaram à conclusão de que a melhor forma de conhecer os detentos era lerem o que escreviam sobre suas vidas. Foi então que passaram a incentivar os alunos a escreverem sobre seus sentimentos, como viviam antes de serem detidos, o que sonham e o que esperam depois de cumprirem a pena. Creuza garante que quando os reeducandos colocam no papel tudo o que estão sentindo, é como se ganhassem a liberdade. Quando escrevem, eles são livres. Ela afirma isso porque muitos escrevem sobre a infância, a juventude e têm a oportunidade de refletir sobre seus erros. Ao conhecer os textos dos reeducandos, a Coordenação de Ensino da Mata Grande elaborou um projeto para que fossem publicados em forma de livro e enviou à Fundação Nova Chance, que em seguida abraçou a ideia. A coordenação informa que o processo de educação na Penitenciária demandou tempo e teve que quebrar muitas barreiras, até que os detentos aprendessem a gostar de ler e, principalmente, escrever. Essa quebra de paradigmas e até mesmo de conceitos aconteceu com o reeducando Ademar Pereira, de 27 anos, que há nove está detido na Mata Grande. Ele disse que quando entrou na penitenciária não queria saber de estudar e não se interessava pela escola. (AR)