CIDADES
Terça-feira, 21 de Junho de 2011, 21h:30
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FERRUGEM
Detentos denunciam maus-tratos
MARIA HELENA BENEDET
Da Reportagem/Sinop
Durante entrevista dada na segunda-feira, na delegacia e depois de ter feito o agente carcerário Luiz Fernandes Pires, 33 anos, refém, o reeducando do presídio de Ferrugem, em Sinop, Carlos Rodrigues da Silva, 31 anos, denunciou os maus-tratos que os presos sofrem na unidade. Conforme o detento, a última agressão sofrida foi no sábado. Olha como é que tá meu olho [mostrando o olho esquerdo com uma mancha vermelha no canto] de sábado à noite que o agente me bateu, denunciou. Tanto eu como nos outros demais que bateu [o agente], entendeu, lá dentro do presídio, emendou. O presidiário disse que as agressões não ocorrem em todos os plantões, mas estão virando rotina e, às vezes, até a alimentação é cortada. Não são todos os plantões, entendeu, tem gente que é praticamente de boa. Mas vários agentes lá dentro entram, batem na gente, surram a gente, jogam spray de pimenta, deixam a gente sem comer e para eles está tudo certo, denunciou. Quer dizer que nós pode ser prejudicados e eles não? Eles são santos? Nós não! Quer dizer que nós somos os bagunceiros da cadeia?, desabafou. Questionado sobre as acusações do reeducando, o diretor do presídio, Cleiton Norberto, disse que ficou sabendo das acusações por meio do delegado municipal Joacir Reis. Segundo o diretor, os presos contaram os fatos em depoimento na delegacia. Norberto disse que irá tomar as medidas para apurar as denúncias. Não sabia dessa situação, fui informado por meio do delegado, mas agora vamos tomar as providências necessárias e apurar os fatos para ver o que aconteceu, garantiu. Vamos abrir um inquérito para apurar as denúncias, relatar os fatos se eles realmente aconteceram e, se forem confirmados, tomar os procedimentos que devem ser seguidos, confirmou. Além de Carlos Rodrigues, os reeducandos Juliano Rodrigues Pereira e Jeferson Manoel Dias foram encaminhados à delegacia para prestar depoimento sobre a ação em que renderam o agente carcerário durante quase 9 horas. Os reeducandos reivindicavam a progressão de pena de Carlos e Juliano que, segundo eles, já haviam cumprido a punição, e a transferência de Jeferson para o município de Rosário Oeste. Os pedidos foram concedidos pela Justiça, porém, a partir de agora, os reeducandos vão responder por crime de cárcere privado e a pena pode ser de 3 a 5o anos de prisão. Jeferson foi transferido ontem, pela manhã, para Rosário Oeste.