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CIDADES
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008, 20h:48

AMAZÔNIA

Desmatadores estão em MT

Seis assentamentos do Incra lideram lista nacional dos que mais devastam. Ainda 50% dos nomes estão no Estado

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Seis assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no norte de Mato Grosso lideram a lista dos 100 maiores desmatadores da Amazônia, com cerca de 220 mil hectares devastados. Segundo o ranking, divulgado ontem pelo Ministério do Meio Ambiente, em agosto deste ano houve um aumento de 134% em novas áreas desmatadas da floresta em relação a julho. Metade da lista de desmatadores é do Estado. O presidente do Incra, Rolf Hachbart, diz, conforme resposta publicada pela Agência Brasil, que a lista “injustiçou o Incra”. Ele questiona a atualidade das imagens de satélite utilizadas para o estudo, ausência de áreas de grilagem e destaca que alguns assentamentos identificados existem desde quando a legislação permitia o desmate de até 50% das propriedades. Hoje, o limite é de 20%. Hachbart ainda aponta que algumas coordenadas de satélite não combinam com a localização de um dos assentamentos. O presidente reconheceu que ocorram desmatamentos em algumas propriedades e anunciou ter firmado, com o Ministério Público, termos de ajustamento de conduta para compensação de danos. Em Mato Grosso, os seis assentamentos do Incra que lideram a lista nacional de desmate estão localizados nos municípios de Nova Ubiratã, Querência, Bom Jesus do Araguaia, Cotriguaçu, Tabaporã e Confresa, localizados no norte e médio-norte do Estado. João Bosco de Moraes, superintendente do Incra em Mato Grosso, destaca que não é papel do órgão fiscalizar, no aspecto ambiental, as áreas de assentamentos, que são criados somente mediante licença ambiental concedida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente. O superintendente garante que nenhum assentamento foi criado este ano sem o devido licenciamento ambiental, mas não descarta que ocorra desmate em áreas que ainda não estejam regularizadas ambientalmente. Este ano, de julho para agosto, a área da Floresta Amazônica devastada cresceu cerca de sete vezes em Mato Grosso (de 32,7 quilômetros quadrados para 229,17). Em agosto, o Estado continua com altos índices de desmate, apesar de não figurar no primeiro lugar do ranking – pelo terceiro mês consecutivo, o Pará foi o estado que mais desmatou, com 57% da área devastada. Dos 756 quilômetros quadrados desmatados na Amazônia no mês, Mato Grosso devastou cerca de 30%, praticamente o tamanho da área registrada em toda a região no mesmo mês de 2007, quando foi líder em desmatamento. O secretário de Estado de Meio Ambiente, Luiz Henrique Daldegan, anunciou que comentará os dados hoje numa coletiva de imprensa. O estudo que produziu a lista aponta que, de 100 acusados de desmatamento, 10 são julgados judicialmente e apenas um, condenado. Preocupado com os “péssimos” números, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou que pretende denunciar os criminosos e implementar 12 medidas para combater o desmatamento. Entre elas, a criação de um grupo de ministérios denominado Cide (Comitê Interministerial de Combate ao Desmatamento), apelidado por Minc de “Copom do Desmatamento”. Tendo como referência o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), Minc pretende contar com a Casa Civil e o Ministério da Justiça, entre outros, para criar estratégias contra o desmatamento.

Edição EDIÇÃO 16961




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